Estado
da Índia
O
Estado Português da Índia, também conhecido por Estado da Índia ou Índia
Portuguesa, foi o governo constituído para administrar todos os territórios
dependentes de Portugal nas costas do oceano Índico à época do Império
Português. De 1505 a 1752, abrangeu todos os territórios no Índico - desde a
África austral ao sudeste Asiático - com capital em Goa desde 1510, e só mais
tarde se restringiu aos territórios da costa de Malabar, na Índia. O estado da
Índia foi constituído em 1505 com a nomeação do primeiro vice-rei, D. Francisco
de Almeida, inicialmente estabelecido em Cochim, seis anos após a descoberta do
caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Em 1510, com a expansão
territorial efectuada por Afonso de Albuquerque, que conquistou Goa tornando-a a
sede da presença portuguesa, recebeu nome oficial de Estado Português da Índia. Inicialmente o rei D. Manuel I de Portugal tentou a distribuição do poder por
três Governadores com áreas de jurisdição distintas, contudo o cargo foi
centralizado por Afonso de Albuquerque, que se tornou plenipotenciário, e assim
permaneceu. Durante dois séculos abrangeu todas as possessões portuguesas no
Índico; só em 1752 Moçambique passou a dispor de governo próprio e, em 1844, o
Estado Português da Índia deixou também de administrar os territórios de Macau,
Solor e Timor, vendo-se assim confinado ao Malabar. Portugal detinha os
direitos sobre vários enclaves na costa indiana, cuja posse datava da época dos
Descobrimentos, logo após a ligação marítima ter sido estabelecida por Vasco da
Gama.
Entre estes territórios, incluíam-se:
Goa
Damão
Diu
E
ainda:
Ilha
de Angediva a sul de Goa
Dadrá
e Nagar Haveli, um enclave de Damão bem no coração do Guzerate
Simbor
enclave continental de Diu, a leste deste território
Gogolá
enclave continental de Diu
O
primeiro contacto português com a Índia deu-se a 20 de Maio de 1498, quando
Vasco da Gama atracou em Calecute. Após alguns conflitos com os mercadores
árabes que detinham o monopólio das especiarias através de rotas terrestres,
Vasco da Gama conseguiu assegurar uma carta de concessão para as trocas
comerciais com o Samorim, o governador de Calecute. Aí deixou alguns
portugueses para estabelecerem um porto comercial.
Em
1510, o almirante Afonso de Albuquerque derrotou os sultões de Bijapur, numa
disputa entre a soberania do território de Timayya, o que levaria ao
estabelecimento dos portugueses na Velha Goa. Goa tornava-se, assim, o centro
do governo da Índia e o local de residência do vice-rei da Índia. Entretanto,
os portugueses conquistavam vários territórios aos sultões do Guzerate: Damão
(ocupado em 1531, formalmente cedido em 1539), Salsete, Bombaim e Baçaim (ocupado
a 1534) e Diu (cedido em 1535). Estas possessões tornaram-se a "Província
do Norte" do Estado da Índia, estendendo-se por 100 km de costa desde
Damão a Chaul. A província era governada a partir da fortaleza de Chaul.
Bombaim seria cedida ao Reino Unido em 1661 como dote do casamento entre a
Infanta Catarina de Bragança, Princesa da Beira, e o Rei Carlos II de Inglaterra.
A maioria da província foi, entretanto, perdida para os maratas até 1739.
Portugal apoderou-se de Dadrá e Nagar-Haveli em 1779. Entre 1713 e 1788, a
superfície de Goa triplica com a incorporação das Novas Conquistas. Em
1843 a capital é mudada para Pangim, então renomeada "Nova Goa",
quando se tornou oficialmente a sede administrativa da Índia Portuguesa, em
substituição a cidade de Goa (actualmente Velha Goa), embora o vice-rei já
morasse lá desde 1 de Dezembro de 1759. Antes de se mudar para a cidade, o
vice-rei remodelou a fortaleza do Idalcão, transformando-a num palácio.
Ceilão
Português
O
Ceilão Português, era um território Português no atual Sri Lanka, o que
representa um período da história do Sri Lanka entre 1505 a 1658. Os
portugueses encontraram primeiramente o Reino de Kotte, com quem assinaram um
tratado. O Ceilão Português foi estabelecido através da ocupação de Kotte e a
conquista de reinos circundantes. Em 1565 a capital do Ceilão Português foi
transferida de Kotte para Colombo. A introdução do cristianismo pelos
portugueses promoveu atritos com o povo cingalês. Eventualmente,
os cingaleses procuraram ajuda do Império Holandês na sua luta pela libertação
da Igreja Católica. O Império Holandês, calvinista e anticatólico, inicialmente
assinou um acordo com o Reino de Kandy. Após a crise da economia ibérica, em
1627, com a Guerra Luso-Holandesa os portugueses perderam algumas colónias
asiáticas, conquistadas pelos holandeses. Foi este o destino dos territórios
cingaleses de Portugal, ocupados então pela Holanda. Houve muitos mártires
católicos. No entanto, ainda há elementos da cultura portuguesa no Sri Lanka,
datando do período colonial.


