A
Colónia de Caiena e Guiana foi uma unidade administrativa da América
portuguesa. A invasão da Guiana Francesa ocorre no contexto da Guerra
Peninsular, quando o então Príncipe-Regente Dom João, em represália pela
Primeira invasão francesa de Portugal em 1807, ordenou a invasão da Guiana
Francesa em 1809. A
invasão da Guiana Francesa foi uma operação militar conjunta por uma força
expedicionária Anglo-Portuguesa contra Caiena, capital da colónia sul-americana
francesa em 1809, durante as Guerras Napoleónicas. A operação fez parte de uma
série de ataques contra território mantido francesa nas Américas durante 1809 e
devido a compromissos em outros lugares, a Marinha Real Britânica não conseguiu
enviar forças substanciais para atacar o porto fluvial fortificado. Em vez
disso, os recursos foram direccionados para o governo Português, que tinham
sido expulsos de Portugal no ano anterior durante a 1ª Invasão por exércitos
estrangeiros e havia transferido sua sede para o Brasil. Em troca do
fornecimento de tropas e meios de transporte para a operação, os ingleses
garantiram apoiar e reconhecer a soberania portuguesa sobre a Guiana Francesa.
Um
dos objectivos estratégicos da campanha era redefinir a fronteira do Estado do
Brasil com a Guiana Francesa de acordo com o Tratado de Utrecht (1713),
devolvendo-a ao rio Oiapoque, anulando o estabelecido nos tratados de Paris em 1797,
Badajoz e Madrid em 1801, e mesmo em Amiens em 1802. A
contribuição britânica foi pequena, tendo enviado somente o navio de guerra HMS
Confiance (1808). Confiance, porém, teve uma equipe altamente eficaz e um
capitão experiente em James Lucas Yeo, que foi o comandante de toda a
expedição. O contingente Português mais substancial consistia de 700 soldados
regulares do Exército colonial do Brasil, liderados pelo tenente-coronel Manuel
Marques e 550 soldados regulares da infantaria naval da Marinha colonial do
Brasil e vários navios de guerra para agir como transportes e prestar apoio de
artilharia em mar. Por
terra foram enviados 700 homens vindos do Pará comandados pelo tenente-general
Manuel Marques, enquanto pelo mar eram apoiados pela esquadra da Marinha Real
Britânica, comandada por James Lucas Yeo, chefe das forças navais, a bordo da
fragata Confiance com 26 peças de artilharia, enviada do Rio de Janeiro, junto
com os brigues Voador (com 18 peças, comandado por José António Salgado) e
Infante Dom Pedro (com 18 peças comandada por Luís da Cunha Moreira), a escuna
General Magalhães com 12 peças e os cúteres Vingança e Leão, comandados pelo
tenente Manuel Luís de Melo. Os fuzileiros-marinheiros estavam sob o comando de
Luís da Cunha Moreira, mais tarde visconde de Cabo Frio e primeiro ministro da
Marinha do Brasil independente.
Os
defensores franceses foram enfraquecidos por anos de bloqueio e só conseguiu
reunir 400 homens de infantaria regular e 800 milicianos não confiáveis,
formado em parte da população negra livre do território. Com uma resistência,
resultado foi inconsistente e apesar fortificações fortes de Caiena, o
território caiu dentro de uma semana. O
primeiro combate foi travado em 15 de Dezembro, às margens do rio Aproak, duas
embarcações francesas são apreendidas. Algumas semanas depois as tropas
inglesas e portuguesas partem para conquistar as principais fortificações
francesas no rio Maroni. Em
6 de janeiro de 1809 o Fort Diamant foi conquistado, no dia seguinte o Fort
Dégrad des Cannes e no subsequente o Fort Trió, todos na ilha de Caiena. A
tropa sitiou a capital, Caiena, cujo governador Victor Hughes se rendeu sem
resistência, em 12 de janeiro de 1809, assinando em Bourda a rendição. A Guiana
passou a ser administrada por Dom João Severiano Maciel da Costa, depois Marquês
de Queluz, com a designação de ‘Colónia de Caiena e Guiana’. Havia,
na região de Caiena, um famoso complexo agrícola mantido pela coroa francesa,
formado pela ‘Habitation Royale des Épiceries’, mais conhecida como ‘La
Gabriele’, pela ‘Habitation de Mont Baduel’, pela ‘Habitation Tilsit’ e pela ‘Fábrica
de Madeiras de Nancibo’, eram os principais exemplos de estabelecimentos
coloniais na Guiana, em extensão, produtividade e número de escravos. A
posse de ‘La Gabriele’ se tornaria um dos maiores benefícios obtidos pelos
portugueses com a anexação de uma colónia tão conturbada. Além de ser uma das
principais fontes de renda da colónia, reunia todas as espécies vegetais
almejadas pelos portugueses. Em abril de 1809, Rodrigo de Sousa Coutinho,
responsável pelos hortos brasileiros, mandou o governador da capitania do
Grão-Pará providenciar o transporte, de Caiena para Belém e para outros
domínios, "da maior quantidade
possível de todas as árvores de especiaria". Juntamente com elas, deveriam
seguir "hábeis jardineiros",
desde que não fossem "contaminados
da ideologia liberal". No mesmo mês, nova ordem determinava a
transferência das plantas do jardim paraense para o Rio de Janeiro, lembrando
que a procura de "todo o género de
culturas" era o "ponto mais
essencial para o Brasil" naquele momento. Foi o administrador francês
de ‘La Gabriele’, Joseph Martin, quem assinou a lista de plantas e as
instruções para o plantio, no total, de 82 espécies embarcadas em seis caixas. Durante
a ocupação portuguesa foram enviadas para o Brasil diversas especiarias e
frutos, como noz-moscada, cravo-da-índia, fruta-pão, além de mudas de nogueira,
camboeira, abacateiro e da cana caiena, muito superior à Cana-de-açúcar cultivada
então no Brasil. Esta colecção seria um dos precursores da criação do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro. Em
1814, com a derrota de Napoleão, a posse da colónia voltou a ser reivindicada
pelo governo francês, agora sob o domínio de Luís XVIII. Porém os termos da
proposta francesa não foram aceites por Dom João VI e a questão passou a ser
discutida pelo ‘Congresso de Viena’ no ano seguinte. Nessas negociações, a
França concordou em recuar os limites de sua colónia até a divisa proposta pelo
Governo português, fixando a fronteira entre os dois territórios. Entretanto,
somente em 21 de Novembro de 1817, como resultado do Tratado de Viena, os
portugueses deixaram Caiena com a assinatura de um convénio entre a França e o
novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. João
Severiano passou o governo ao conde Carra de Saint-Cyr, general de Luís XVIII.