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quinta-feira, janeiro 24, 2013

Trafalgar - 1805

O projecto Francês


Quando da declaração de guerra, em 16 de Maio de 1803 entre a Grã-Bretanha e a França e seus aliados, Napoleão Bonaparte recuperou o seu antigo projecto de invadir a Grã-Bretanha e acabar assim com o mais audacioso da França. Naquele mesmo verão concentrou num só exército as tropas francesas, dispersas em vários sítios da Europa ocidental, em consequência das campanhas da Holanda, Suíça, Itália e no Reno. No total concentrou 150.000 homens e 400 canhões uma força enorme, diferente do que acontecia então se utilizava contra um só objectivo. Deu-lhe o nome de ‘Grande Armée’ e concentrou as tropas em torno de Boulogne à espera de serem embarcadas para invadirem as Ilhas Britânicas.

Para transportar tantas tropas para o outro lado do Canal era necessário uma Frota enorme, e a Marinha Francesa esforçou-se durante todo o verão de 1803 para reunir na costa do Canal da Mancha todas as embarcações possíveis. Por fim consegui-o concentrar em todos os portos do Norte umas 2.000 embarcações de todo o tipo, capazes de transportar o exército em pequenas viagens. Uma vez concentradas as tropas e preparado o transporte era necessário encontrar uma maneira de enganar a Frota Britânica cujos navios de linha são mais em número e qualidade das suas tripulações. Para contrariar a enorme capacidade da Marinha Britânica, foi criado um plano que se estabelecia para que fosse viável a invasão se devia arranjar um plano para deixar a Marinha Britânia confusa durante uma ou duas semanas. Entretanto, os marinheiros franceses convenceram Napoleão Bonaparte que era necessário o apoio espanhol, a sua frota e os seus portos na Cantábria que julgaram indispensáveis para levar a cabo com êxito. A diplomacia francesa pressionou o governo espanhol cujo primeiro-ministro era Manuel Godoy que declarou entrar em guerra com a Grã-Bretanha em 14 de Dezembro de 1804.

Contando com o apoio naval espanhol preparou-se um novo plano, aprovado a 2 de Março de 1805. O plano consistia em concentrar as Frotas Espanholas e Francesas no Caribe a fim de atrair a Armada Britânica. Uma vez desviado o interesse dos britânicos para as águas americanas, os navios franceses e espanhóis regressavam a toda a velocidade ao Canal da Mancha para escoltar o comboio que devia transportar o ‘Grande Exército'. A operação estaria a cargo do Almirante Villeneuve que substitui o Almirante Latouche-Tréville.



Os antecedentes da batalha


A 19 de Outubro de 1805 atrasado e inactivo durante 2 meses, a Frota Espanhola e Francesa do Almirante Villeneuve, abandonou Cádiz com a tenção de enganar os navios de sítio. O Almirante Nelson foi avisado imediatamente da partida da frota franco-espanhola e duas horas depois encontrava-se em perseguição da frota inimiga. Desconhecendo a posição e o rumo da frota inimiga e a constituição da mesma, seus navios durante toda a noite entrarão em perseguição da rota do inimigo. As esquadras estabeleceram contacto por volta das 7 da manhã do dia 20 de Outubro. A frota franco-espanhola navegava a toda a velocidade para Oeste rumo para o estreito de Trafalgar. Continuou o rumo durante toda a manhã e pela tarde perante a evidência de que não podia alcança-lo, o seu Almirante ordenou navegar para Sudeste dos Britânicos. Estes despostos a não lhes escaparem mantiveram o contacto visual durante a noite. Ao amanhecer do dia 21 de Outubro de 1805, ambas as frotas que mantinham uma distância aproximadamente de 12 milhas. Enquanto houve luz suficiente o Almirante Nelson ordenou que inçasse os avisos para a frota formar duas colunas. A primeira pelo Almirante Collingwood, e o seu navio o 'HMS Royal Sovereign' formava a vanguarda da sua coluna. A bombordo se formou a segunda coluna encabeçada pelo navio de linha 'HMS Victory' comandado pelo próprio Almirante Nelson.

O Almirante Villeneuve se deu conta de que não podia evitar a batalha, e às 8 da manhã deu ordens para voltarem para Cádiz a sotavento e puderem proteger a frota da batalha iminente. Este imprevisto trocou de plano o que originou uma grande confusão na esquadra franco-espanhola que adoptou uma linha de combate irregular com a forma de meia-lua com grades brechas entre alguns navios. Soprava um vento ligeiro de Nordeste e uma forte maré.

O Combate

        
O combate iniciou-se às 11h45m, quando o navio de linha francês ‘Fougueux’ disparou contra o 'HMS Royal Sovereign', situado a quatro milhas a bombordo. O Almirante Collingwood manteve o rumo do seu navio de guerra e o seu navio recebeu nova bombarda do navio espanhol ‘Santa Ana’. Cruzou a linha inimiga entre a popa da ‘Santa Ana’ e pela proa do navio francês ‘Fougueux’ depois de disparar contra o navio francês, virou e entrou em combate com o ‘Santa Ana’ que rapidamente se viu rodeado por navios inimigos. 40 Minutos depois de começar o combate o navio do Almirante Collingwood estava fora de combate. A segunda vaga de navios da coluna de estibordo britânica acudi-o o navio do seu chefe, e o navio ‘HMS Euryalus’ conseguiu ser rebocado para fora de combate dos navios inimigos mas o resto da coluna investiu contra o navio de linha ‘Santa Ana’. Por volta das 14h20m o navio espanhol com os aparelhos completamente destruídos e com 140 homens feridos e mortos na batalha arriou a bandeira e foi abordado. O seu comandante o Almirante De Alava foi transportado mortalmente ferido para o navio ‘HMS Euryalus’.

Entretanto os restantes navios da coluna do Almirante Collingwood atravessaram a linha inimiga em diferentes pontos. Cada navio entrava em combate com o primeiro adversário sem deter-se. Quando o inimigo tentava manobrar para persegui-lo, a segunda vaga de navios de linha não deixava que o navio inimigo fizesse a manobra. O resultado foi um fogo de artilharia constante sobre o inimigo que não sabia como manobrar.


A coluna do Almirante Nelson iniciou o ataque 25 minutos depois do Almirante Collingwood. Por volta das 12h15m, os três navios de três pontes que formavam a vanguarda da coluna do Almirante Nelson entraram em combate com a parte central da coluna franco-espanhola. O objectivo de Nelson era atacar directamente o navio almirante. Ao não poder localizá-lo e depois de 40 minutos de troca de artilharia entre o ‘HMS Victory’ e o navio espanhol ‘Santisima Trindade’ o maior navio inimigo. Ao aproximar-se avistou a bandeira do Almirante Francês no navio de linha ‘Bucentaure’ e navegou directamente para ele. Atrás dele ia o navio de linha ‘Redoutable’ e os aparelhos deles se enrolaram. Os franceses ainda tentaram abordar o ‘HMS Victory’ sem conseguirem. Um disparo realizado desde a mesena do navio atingiu o Almirante Nelson no ombro e o projéctil ficou na coluna vertebral de Nelson.

O centro da linha franco-espanhola e a coluna de Nelson travaram um duro combate a curta distancia. Às 13h50m o Almirante Villeneuve deu ordens à sua vanguarda para manobrar e a voltar para trás para ajudar o centro da formação. Antes da chegada dos navios da vanguarda franco-espanhola os navios de guerra ‘HMS Leviatán’ e o ‘HMS Conqueror’ posicionassem junto do navio de guerra ‘HMS Bucentaure’ e obrigaram o Almirante Villeneuve a arriar o seu estandarte às 14h30m.


Devido ao forte vento a vanguarda francesa tardou a reagir para avançar para a zona de combate. Por volta das 16h é que entrou em contacto com as forças. Um navio rendeu-se os outros fugiram. Às 14h30m dos 33 navios de guerra do Almirante Villeneuve, 9 conseguiram voltar para Cádiz 4 estavam com os aparelhos completamente destruídos, 16 estavam completamente inutilizados, 13 haviam sido abordados e um ardia. O Almirante Nelson morreu por volta das 16h30m sendo informado antes de morrer a grande Victória que tinha alcançado.

Nenhum navio de linha britânico foi afundado nem capturado em combate. As suas baixas foram de 1.500 homens mortos ou feridos. Esta Victória para a Grã-Bretanha consolidou o seu predomínio naval que se manteve até á 1ª Guerra Mundial. Para a França significou a impossibilidade de invadir o seu mais difícil adversário e a possibilidade de cortar os seus abastecimentos necessários para a sua indústria. Para a Espanha foi a destruição da grande frota que havia conseguido reunir e a impossibilidade de defender as suas colónias do ultramar.


A Batalha e a destruição da Armada Franco-Espanhola















                    

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