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domingo, agosto 03, 2014

Batalhas e Combates-1746

Tiracol
(23 de Novembro de 1746)


A 12 de Setembro de 1742 faleceu o enérgico Vice-Rei da Índia Marquês de Louriçal ficando o Estado Português da Índia  a ser novamente dirigido por uma junta de três governadores. Aproveitando-se dessa circunstância os Bounsulòs invadiram por duas vezes o destrito de Pondá e recomeçaram os ataques à nossa navegação. Ripostarm os governadores enviando tropas para Pondá, que obrigaram o invasor a retirar e, ao mesmo tempo, puseram a nossa esquadra a bloquear os portos onde se acoitavam os navios dos Bounsulós; Chaporá, Tiracol, Rarim (Redi?), Neutim (Niuti?) e Carlim (rio Carli?).


Em Setembro de 1744 chegaram a Goa duas Naus de guerra do Reino e com elas um novo Vice-Rei, Dom Pedro Miguel de Almeida e Portugal, Marquês de Castelo Novo e Conde de Assumar, também um homem enérgico e que ia disposto a restaurar o prestígio de Portugal no Oriente, que tão abalado ficara depois da perda de Baçaim e de toda a «Provincia do Norte». Continuando as incursões dos Bounsulòs aos distritos de Bardês e de Pondá e os ataques dos seus corsários à nossa navegação, resolveu o nosso Vice-Rei, em Abril de 1746, lançar uma ofensiva de grande envergadura na dircção do nordeste com o objectivo de ocupar as terras dos Bounsulòs compreendidas entre as nossas e os Gates e assim impedir que aqueles pudessem continuar a inquietar os nossos distritos do Sul. Enquanto uma forte esquadra bloqueava o rio de Chaporá, o nosso exército, auxiliado por um corpo de tropas do Rei de Sunda, avançou sobre Alorna, Bicholim e Sanquelim. A primeira destas fortalezas, apesar de se ter defendido energicamente, foi tomada de assalto, as outras duas foram ocupadas praticamente sem terem oferecido resistência. Com o crescer da «moção» a campanha teve de ser dada como concluida, recolhendo as tropas aos quartéis e os navios a Mormugão e ao Mandovi. Chegado o «Verão», em principios de Setembro, logo as nossas forças de mar e terra se puseram de novo em movimento. O objectivo principal desta segunda campanha era ocupar Tiracol, a principal base dos corsários bounsulós. Sobre a barra do rio, que se encontrava fechada com uma groça cadeia de ferro, existia uma fortaleza armada com trinta e quatro peças. Nas suas imediações encontrava-se estacionado um exército de cerca de dois mil homens. A esquadra portuguesa que tomou parte no ataque a Tiracol era constituida por duas Naus de guerra, cinco Palas, e duas dezenas de navios menores. O exército deve ter sido sensivelmente o mesmo que tão boa conta de si havia dado na campanha anterior. A 23 de Novembro de 1746, dispostas as nossas forças de mar e de terra em frente às posições dos bounsulós, começaram a bombardeá-las intensamente. A esquadra concentrou o seu fogo sobre a fortaleza e cinco Palas que se encontravam postadas por detrás da cadeia de ferro que fechava a barra. Uma e outras, apesar de terem respondido animosamente ao nosso fogo, foram duramente atingidas. Algumas horas mais tarde as respectivas guarnições começavam a debandar. Quando as nossas tropas, ao fim da tarde, se lançaram ao assalto da fortaleza, a resistência que encontrarm foi muito fraca. No rio foram encontradas abandonadas dez Palas, dezassete Calvetas e uma dezena de Parangues, Manchuas e outras embarcações de menor porte, Três das Palas e sete Galvetas por se encontrarem em mau estado, foram queimadas, as restantes foram levadas para Goa. Nos armazéns  foram encontradas duzentas e quarenta e três peças de artilharia, mastros, vergas, ferros e muito outro material destinado a equipar navios. A 1 de Dezembro, concluido o rescaldo da conquista de Tiracol a nossa esquadra e o nosso exército deslocaram-se para Rarim, cuja guarnição à vista de tão grande poder, se rendeu, sem oferecer resistência, a 3 de Dezembro. No rio foram tomadas mais oito Galvetas e uma dezena de embarcações mais pequenas. A 20 de Dezembro, depois de terem deixado as fortalezas de Tiracol e Rarim devidamente guarnecidas, as forças portuguesas recolheram a Goa. Em resultado desta segunda campanha ficou muito diminuída a capacidade dos Bounsulós para continuarem a fazer guerra de corso à custa da nossa navegação e a fronteira norte do território de Goa avançou até Rarim. Desde então os distritos conquistados durante o governo do Conde de Assumar, bem como os que nos foram cedidos mais tarde pelo Rei de Sunda, passaram a ser designados por «Novas Conquistas», em oposição aos antigos distritos de Bardês, Ilhas e Salcete, que passaram a ser conhecidos pela designação de «Velhas Conquistas». Ao ter conhecimento das brilhantes vitórias alcançadas pelo Conde de Assumar, os ministros do Reino, em nome de Dom João V, que em Maio de 1742 fora vitima de uma apoplexia, galardoaram-no com o título de Marquês de Alorna, a juntar aos que já tinha, e pelo qual a familia passou, dai para diante, a ser conhecida. Para concluir, refira-se que dois anos mais tarde, em 1748, tendo os Bounsulós recomeçado os seus ataques contra a nossa navegação, o Vice-Rei foi com uma poderosa armada a Neutim, que tomou e ocupou. Seguidamente destruiu as fortificações improvisadas que aqueles tinham levantado em Carlim. Desta forma ficaram os seus corsários com a sua liberdade de acção ainda mais diminuida.


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