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segunda-feira, agosto 31, 2015

A Guerra Naval



Entende-se por ‘Guerra Naval’ todo o combate decorrido nos mares, oceanos, ou noutras grandes superfícies aquáticas, tal como grandes lagos e rios de grande envergadura. O registo mais antigo de uma Batalha Naval teve lugar em cerca de 1210 A.C., ao largo de Chipre. Tal como acontece com as restantes formas de Batalha, as tácticas navais baseiam-se, sobretudo, em poder de fogo e mobilidade, que se pode traduzir na combinação eficiente do poder de fogo entregue, conseguida através dos batedores e ocupação das melhores posições no mar. A mobilidade é, efectivamente, uma componente crucial no combate. Na Guerra Naval, a chave encontra-se, sobretudo, em conseguir detectar o inimigo sem ser detectado. Existe também o conceito de ‘Área de Batalha’: a zona ao redor da força naval dentro da qual o comando assume que consegue detectar, perseguir, atacar e destruir as ameaças antes de estas constituírem perigo. É por este motivo que a Marinha prefere o combate em mar aberto, já que a presença de terra, aliado à topologia subaquática, diminui este espaço, limitando as oportunidades de manobra e, consequentemente, facilitando ao inimigo determinar a localização da frota, ao mesmo tempo que dificulta a detecção das forças inimigas.

Tiro de Enfiada



Na guerra naval, tiro de enfiada (em inglês raking fire) é o disparo dirigido paralelo ao eixo longo de um navio inimigo. Ou seja, alvejando as Naus ao comprido. Embora cada tiro seja dirigido contra o perfil de um alvo menor ao invés de se atirar no costado do navio e, portanto, mais propenso a errar o navio alvo tanto para um lado quanto para o outro, um único tiro de canhão que atinge o alvo irá passar por uma parte maior do navio, aumentando assim os danos ao casco, as velas, e a tripulação. Um tiro de popa causa mais danos do que um tiro de proa porque os tiros não são desviados pela proa curva (e reforçada). Nas batalhas, onde a maioria dos canhões se encontram ao longo do costado do navio, uma das maiores preocupações era evitar receber ‘Tiros de Enfiada’. Assim, como as áreas da proa e da popa de um navio eram altamente vulneráveis, a táctica de tiro de enfiada era o desejo furtivo de cada Capitão em Batalha. A eficácia desta táctica foi demonstrada na ‘Batalha de Trafalgar’. O ‘HMS Victory’ do Almirante Nelson, conduzindo a coluna de barlavento da frota britânica, quebrou a linha francesa bem na popa do ‘Bucentaure’ e logo a frente do ‘Redoutable’. O ‘Victory’ disparou em sua popa menos protegida e ele sofreu baixas de 197 mortos e 85 feridos (incluindo o capitão Megendie). O almirante Villeneuve teve sorte de sobreviver, e embora ele não tenha sido capturado por três horas, o tiro pôs o ‘Bucentaure’ fora da luta. A ‘Batalha de San Domingo’, em 1806, foi uma Batalha Naval das Guerras Napoleónicas. Nela se ilustra a situação na qual o navio que procura acertar um tiro de enfiada pode ser logo após alvo da mesma táctica. Nesta batalha, o navio ‘Alexandre’ danificado, de repente saiu fora de sua linha em uma tentativa de cruzar entre o ‘Spencer’ e o ‘Northumberland’ para disparar fogo de enfiada em ambos. O Capitão Robert Stopford do ‘Spencer’ antecipou-se e respondeu rapidamente, virando em arco atrás do ‘Alexandre’ e disparando ele, uma salva de enfiada. Durante a guerra anglo-americana de 1812, a fragata americana ‘USS Constitution’ entrou em combate com a fragata britânica ‘HMS Guerriere’. Após ter acertado o mastro da mezena, o navio britânico foi danificado. A fragata ‘Constitution’ veio em torno da proa do ‘Guerriere’ e acertou um pesado fogo de enfiada a curta distância, usando grapeshot, que acertou o pátio principal. A fragata britânica respondeu ao fogo, mas o lado britânico sofreu um número bem maior de baixas (78 baixas britânicas contra 14 baixas americanas). Apesar do fogo da ‘Guerriere’ ter sido pesado e a curta distância, as laterais do ‘Constitution’ eram reforçadas com ferro, o que lhe rendeu somente 7 mortos e 7 feridos. Por fim a fragata foi incendiada e afundada pelo ‘USS Constitution’.

Operação de Desembarque



Uma operação de desembarque é uma acção militar que tem como objetivo levar forças militares a uma margem ou trecho de terra, normalmente com o uso de lanchas de desembarque, com o propósito de projectar seu poder para o combate em terra firme. O termo ‘desembarque’ nos séculos anteriores ao século XX, referem-se a forças armadas para que desembarcam dos navios de guerra para combaterem em terra. Essas forças eram da exclusividade dos Fuzileiros da Frota. Uma operação de desembarque é uma acção militar que tem como objetivo levar forças militares a uma margem ou trecho de terra com o propósito de projectar seu poder para o combate em terra firme.

Navio de fogo



Navio de fogo é um navio não-tripulado de uma única vela, carregado de explosivos e substâncias inflamáveis o qual, levado pelo vento em direção ao adversário causa sérios danos na estrutura do casco do navio. O brulote é um navio de fogo carregado de matérias inflamáveis que era incendiado e lançado, evidentemente sem tripulantes, sobre a frota inimiga. Este tipo de arma teve papel importante na luta dos ingleses contra a Invencível Armada, em 1588.

A ‘Linha de Batalha’


Em guerra naval, a ‘Linha de Batalha’ é uma táctica em que os navios da frota formam uma linha do início ao fim. Uma forma primitiva foi utilizada pelos portugueses sob o Capitão-Mor Vasco da Gama em 1502 perto de Malabar contra uma frota muçulmana. Embora seja bem documentado que Martin Tromp tenha usado pela primeira vez na Acção de 18 de Setembro de 1639, isto ainda é disputado por alguns. As primeiras instruções escritas em qualquer linguagem adoptando a formação estavam contidas nas instruções de combate da Marinha Inglesa, escritas pelo almirante Robert Blake e publicadas em 1653. Capitães individuais em ambos os lados da ‘Primeira Guerra Anglo-Holandesa’ parecem ter experimentado esta técnica em 1652, possivelmente incluindo Blake na ‘Batalha de Goodwin Sands’. Para alguns autores a linha de batalha e os navios de linha propriamente ditos são uma invenção inglesa. Na ‘Batalha de Gabbard’ em 1653 a frota inglesa deixou de lado os últimos traços de suas velhas tácticas e lutou em uma simples linha a frente. A ‘Linha de Batalha’ leva vantagem sobre as tácticas navais anteriores nas quais os navios se aproximavam entre si para combate individual (porque cada navio na linha pode disparar de seu costado sem medo de atingir um navio amigo). Portanto, em qualquer período determinado de tempo um número maior de tiros podia ser disparado pela frota inteira. Outra vantagem é que um movimento relativo da linha em relação a alguma parte da frota inimiga permite uma concentração sistemática de fogo sobre essa parte. Para afastar esta possibilidade a outra frota pode, também, se mover em uma linha, com o resultado típico para ‘Batalhas Navais desde 1675’, duas frotas velejando lado a lado na mesma direção ou em rumo oposto. Um navio poderoso o suficiente para ficar na Linha de Batalha veio a ser conhecido como um "navio de linha". A linha é a sua mais eficaz quando se movendo perpendicular ao eixo de movimento da frota inimiga, por exemplo, "cruzando o T" ou quebrando a linha inimiga e movendo-se através dela (por exemplo: ‘Batalha de Quatro Dias’, ‘Batalha de Schooneveld’, ‘Batalha de Trafalgar’), ao tentar cortar e isolar parte da linha do inimigo e concentrando uma força mais forte sobre ele (por exemplo: ‘Batalha de Texel’, ‘Batalha de the Saintes’), ou ao tentar 'dobrar' os navios do inimigo (por exemplo: ‘Batalha de Beachy Head’). Desta forma, os navios inimigos bloqueiam a linha de fogo uns dos outros. A partir de meados do século XVI, o canhão gradualmente se tornou a mais importante arma na guerra naval, substituindo acções de abordagem como factor decisivo no combate. Ao mesmo tempo, a tendência natural no projecto de galeões foi a construção de navios mais compridos com castelos mais baixos, o que significa vasos mais rápidos e mais estáveis. Estes navios de guerra mais recentes poderiam montar mais canhões ao longo dos lados de suas cobertas, concentrando seu poder de fogo ao longo de seu costado. Até meados do século XVII, as tácticas de uma frota eram muitas vezes partir em ‘carga’ contra o inimigo, usando canhões de proa, o que não usava o costado do navio para melhor efeito. Estes novos vasos necessitavam novas tácticas, e "uma vez que... Quase toda a artilharia é encontrada sobre os costados de um navio de guerra, portanto, é a viga mestra que deve, necessariamente e sempre estar voltada para o inimigo. Por outro lado, é necessário que a visão deste último nunca deva ser interrompida por um navio amigo. Apenas uma formação permite que os navios da mesma frota satisfaçam plenamente essas condições. Esta formação é a linha de frente [coluna]. Essa linha, portanto, é imposta como a única ordem de batalha, e, conseqüentemente, como base de todas as táticas da frota.". A táctica de ‘Linha de Batalha’ favorecia navios muito grandes que podiam navegar de forma constante e manter seu lugar na linha em face ao fogo pesado. A mudança em direção ao uso da táctica de linha de batalha também dependia de uma disciplina maior da sociedade e das exigências de um governo centralizado forte para manter frotas permanentes lideradas por um corpo de oficiais profissionais. Esses oficiais eram mais capazes de gerir e se comunicar entre navios que eles comandavam do que as tripulações com experiência em navios mercantes que muitas vezes compunha grande parte da força de uma marinha. O novo tipo de guerra que se desenvolveu durante a Idade Moderna foi marcado por uma organização sucessivamente mais rigorosa. Formações de batalha tornaram-se padronizadas, com base em modelos ideais matematicamente calculados. O aumento da potência dos estados à custa dos proprietários individuais levou a exércitos e marinhas cada vez maiores. O principal problema com a ‘Linha de Batalha’ era que, quando as frotas são de tamanho similar, as acções navais a usando eram geralmente indecisas.


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