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domingo, novembro 22, 2015

D. Sancho I de Portugal



D. Sancho I (Coimbra, 11 de novembro de 1154 – Coimbra, 26 de março de 1211), apelidado de Sancho, o Povoador, foi o Rei de Portugal de 1185 até sua morte. Era filho do Rei Afonso I de Portugal e sua esposa Mafalda de Saboia. Ele promoveu e apadrinhou o povoamento dos territórios do país, destacando-se a fundação da cidade da Guarda, em 1199, e a atribuição de cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes, Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), São Vicente da Beira (1195) ou Belmonte (1199), povoando assim áreas remotas do Reino, em particular com imigrantes da Flandres e da Borgonha.

Quinto filho do monarca Afonso Henriques, foi batizado com o nome de Martinho, por haver nascido no dia do santo Martinho de Tours, e não estaria preparado para Reinar, no entanto, a morte do seu irmão mais velho, D. Henrique, quando Martinho contava apenas três anos de idade, levou à alteração da sua onomástica para um nome mais hispânico, ficando desde então Sancho Afonso.

Em 15 de agosto de 1170 Sancho foi armado cavaleiro pelo seu pai logo após o acidente de D. Afonso Henriques em Badajoz e tornou-se seu braço direito, quer do ponto de vista militar, quer do ponto de vista administrativo. Nestes primeiros tempos de Portugal enquanto país independente, muitos eram os inimigos da coroa, a começar pelo Reino de Leão que havia controlado Portugal até então. Para além do mais, a Igreja demorava em consagrar a independência de Portugal com a sua bênção. Para compensar estas falhas, Portugal procurou aliados dentro da Península Ibérica, em particular o Reino de Aragão, um inimigo tradicional de Castela, que se tornou no primeiro país a reconhecer Portugal. O acordo foi firmado 1174 pelo casamento de Sancho, então Príncipe Herdeiro, com a Infanta Dulce, irmã mais nova do Rei Afonso II de Aragão.

No ano de 1178, D. Sancho faz uma importante expedição contra mouros, confrontando-os perto de Sevilha e do Rio Guadalquivir, e ganha-lhes a Batalha. Com essa ação, expulsa assim a possibilidade deles entrarem em território português.

Com a morte de Afonso Henriques em 1185, Sancho I torna-se no segundo Rei de Portugal. Tendo sido Coroado na Sé de Coimbra, manteve essa cidade como o centro do seu Reino. D. Sancho deu por finda as guerras fronteiriças pela posse da Galiza e dedicou-se a guerrear os Mouros localizados a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos Cruzados da Terceira Cruzada, na primavera de 1189, para conquistar Silves, um importante centro administrativo e económico do Sul, com população estimada em 20.000 pessoas. Sancho ordenou a fortificação da cidade e construção do castelo que ainda hoje pode ser admirado. A posse de Silves foi efémera já que em 1190 o Califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur cercou a cidade de Silves com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante dez dias, devido ao Rei de Leão e Castela ameaçar de novo o Norte.

O Rei Sancho I dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um Tesouro Real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores. O Rei Sancho I concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes, Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), São Vicente da Beira (1195), Guarda (1199), etc, criando assim novas cidades, e povoando áreas remotas do Reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha. O Rei é também lembrado pelo seu gosto pelas artes e literatura, tendo deixado ele próprio vários volumes com poemas. Neste Reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na escola de Bolonha. Em 1192 concedeu ao Mosteiro de Santa Cruz 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.

Outorgou o seu primeiro testamento em 1188/89 no qual doou a sua esposa os rendimentos de Alenquer, terras do Vouga, Santa Maria da Feira e do Porto. Seu último testamento foi feito em outubro de 1209 quase dois anos antes de sua morte. O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.

Descendência:

De sua mulher a Infanta Dulce de Aragão, filha da Rainha Petronilha de Aragão e Raimundo Berengário IV, Conde de Barcelona, com quem casou em 1174.

Beata Teresa de Portugal, Infanta de Portugal (1175/76-1250), casou com o Rei Afonso IX de Leão. Foi beatificada em 1705.

Beata Sancha de Portugal, (1180-1229), Infanta de Portugal, fundou o Mosteiro de Celas, nas proximidades de Coimbra, no qual viveu até à sua morte, e quem a levou para o Mosteiro de Lorvão, onde recebeu sepultura, foi sua irmã Teresa. Foi beatificada em 1705, no mesmo ano que sua irmã Teresa, pelo papa Clemente XI.

D. Constança de Portugal (1182-antes de 1186).

D. Afonso II de Portugal (1186-1223), casou com Urraca de Castela, Rainha de Portugal.

D. Pedro (1187-1258), Infante de Portugal e Conde de Urgel pelo casamento com a Rainha Aurembiaix Armengol, foi também Rei de Maiorca.

D. Fernando, Infante de Portugal (1188-1233), viveu no estrangeiro, casou com a Condessa Joana da Flandres.

D. Henrique de Portugal (?-1191), morreu em criança.

D. Raimundo de Portugal (1195-?), morreu em criança.

Beata Mafalda de Portugal (1195/96-1256), Infanta de Portugal, casada com o Rei Henrique I de Castela, depois fundadora do Mosteiro Cisterciense de Arouca e sua primeira Abadessa.

D. Branca, (1196/98-1240), Infanta de Portugal, foi freira num convento em Guadalajara.

D. Berengária, Infanta de Portugal (1196/98-1221), casada com o Rei Valdemar II da Dinamarca.

Filhos naturais:
O Rei teve dois filhos com a Donna Maria Aires de Fornelos, primeira mulher do Conde Gil Vasques de Soverosa, filha do Conde Aires Nunes de Fornelos e da Condessa Maior Pais de Bravães e neta do Conde Soeiro Mendes da Maia o Bom. Em abril de 1207, o Rei D. Sancho fez doação perpétua da Vila Nova dos Infantes e de Golães para os filhos que teve com Maria com a faculdade de os vender a quem quisessem. Em 1175, Maria com seu esposo o Conde Gil Vasques de Soverosa, e seus filhos Martim e Urraca, doou umas casas a seus parentes a Condessa Marina Pais e ao Conde Vasco Pires.

Don Martim Sanches de Portugal (n. antes de 1175), casado com a Condessa Eylo Pérez de Castro, filha do Conde Pedro Fernandes de Castro "o Castelhano" e de sua mulher a Condessa Jimena Gomes de Manzanedo, filha do conde Gomes Gonçalves de Manzanedo e da Condessa Milia Peres de Lara, sem geração. Eylo divorciou-se de Martim e em 1205 casou com o D. Guerau IV de Cabrera, Visconde de Cabrera, com descendência.

Donna Urraca Sanches de Portugal (n. antes de 1175), solteira e sem geração.

Havidos de Donna Maria Pais Ribeira, dita a Ribeirinha, filha do Conde Paio Moniz de Ribeira e da Condessa Urraca Nunes de Bragança, filha do Conde Vasco Pires de Bragança.

Don Rodrigo Sanches de Portugal (m. 1245), teve um filho ilegítimo com Donna Constança Afonso de Cambra, Don Afonso Rodrigues que foi frade franciscano e "Guardião do Convento de Lisboa".

Don Gil Sanches de Portugal (m. 14 de Setembro de 1236), foi clérigo e trovador. Seu pai deixou-lhe em testamento 8.000 morabitinos e em 1213 deu o foral de Sarzedas.

Don Nuno Sanches de Portugal, falecido de tenra idade.

Donna Maior Sanches de Portugal, falecida de tenra idade.

Donna Teresa Sanches de Portugal (1205-1230), casou cerca de 1212 com o Conde Afonso Teles de Meneses, 2.º Senhor de Meneses, 1.º Senhor de Albuquerque.

Donna Constança Sanches de Portugal (1210-8 de Agosto de 1269), a qual a 15 de Janeiro de 1269 «Dona Constancia Sancii felicis recordtionis donni Sancii quondam Portugalie Regis Illustris filia» doou a sua sobrinha-neta, a Infanta D. Sancha, as metades de Vila do Conde, Aveleda, Pousadela, Parada e Maçãs de Dona Maria, com a condição de seu pai, D. Afonso III, lhe dar anualmente 3.300 libras velhas, em Junho de 1237, compraram uma herdade chamada a Silveira no termo de Alenquer, e em Maio de 1240 escambou com D. João Pires a herança que tinha na dita vila de Alenquer.

Havido de D. Maria Moniz de Ribeira, filha do Conde Monio Osórez de Cabrera, Conde de Cabrera e Ribera no Reino de Leão, e de D. Maria Nunes de Grijó, filha do Conde Nuno Soares de Grijó e de D. Elvira Gomes.


D. Pedro Moniz, casou com uma senhora cujo nome não é registrado e foi o pai de D. Maria Pires Cabreira, a esposa do Conde Martim Pires Machado.


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