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segunda-feira, julho 21, 2014

Batalhas e Combates-1772

Costa da Índia
 (Março de 1772)



Em meados de Fevereiro de 1772 passou à vista de Goa, navegando para sul, uma poderosa Esquadra Marata constituida por três Gurabos, oito Palas e vinte Galvetas. Receando pela sorte do navio ou navios que por essa época costumavam vir de Macau o Governador Dom João José de Melo ordenou que segui-se imediatamente para Sul a Fragata "São Francisco Xavier" de 36 peças, de que era comandante o Capitão-de-mar-e-guerra Luis de Melo, ao qual prometeu que enviaria em seu auxilio a Fragata "Nossa Senhora da Penha de França" logo que regressasse do Norte, bem como a Pala "São Pedro" e o Patacho "São Miguel" logo terminassem a escolta de saída à Nau do Reino. A 28 de Fevereiro largou a "São Francisco Xavier". Era intenção do seu comandante ir a Calicut esperar pelos navios de Macau e aproveitar para carregar madeira destinada a Goa. Nesse ano de 1772 chegou apenas um navio de Macau pertencente ao comerciante Joaquim Modesto de Brito, que vinha embarcado nele. Possivelmente em principios de Fevereiro terá chegado a Calicut. Vendo o tempo a passar sem que aparecesse qualquer navio de guerra português para o comboiar  e sabendo que a costa andava infestada de corsários, Modesto de Brito pediu ao comandante de uma fragata inglesa que estava no porto e que ia para o Norte que o escoltasse até Goa. Anuio aquele a troco do pagamento de cem rupias, ficando assente que o Navio de Macau arvoraria a bandeira inglesa durante o trajecto. E lá vieram os dois navegando de conserva até Mangalor. Nessa altura surgiu a esquadra Marata que sem se impotar com a Fragata inglesa  nem atender ao facto de o navio de Modesto de Brito ter içado a bandeira inglesa, se pôs às bombardas a ele. Receando irritar os Maratas e temendo meter-se em sarilhos o comandante da Fragata para tentar salvar a façe, limitu-se a disparar alguns tiros de pólvora seca de que os maratas não fizeram caso e retomando a rota para Norte deixando Modesto de Brito à sua sorte. Momentos depois algumas das suas Galvetas aferravam o nosso navio e os seus tripulantes lançavam-se à abordagem. Defenderam-se os portugueses animosamente sobretudo um tal Domingos de Oliveira, que matou vários dos assaltantes antes de ser morto por eles. Mas a refrega foi curta. O navio foi tomado e os maratas, dando-se por satisfeitos com tão rica presa, iniciaram a viagem de regresso à base. A 17 de Março de 1772 largou de Goa aos portos da costa Canará uma cáfila constituida por um Navio Mercante, de que era Capitão Luis José e vários Parangues, sob a escolta da Fragata "Santa Ana" de 40 peças e de duas Chalupas. O comandante da Fragata era o Captitão-de-mar-e-guerra Francisco da Costa Ataíde. Dois dias mais tarde, encontrando-se o comboio a navegar com o terral ao largo da ilha Angediva, foi avistada pela proa a armada marata que vinha em sentido oposto, trazendo consigo o Navio de Macau que capturara em Mengalor e outras presas que fizera no Sul. É provável que por esta altura o estado Português da Índia estivesse oficialmente em paz com os Maratas, o que terá levado Costa de Ataíde a pensar que nada tinha a recear. Mas as suas previsões sairam errados. Os navios maratas aproximaram-se rapidamente do comboio e em jeito de provocação meteram-se pelo meio dele. É óbvio que por essa altura já Costa de Ataíde se devia ter apercebido de que os maratas tinham apresado o navio de Macau e que estavam procurando um protexto qualquer para atacar o comboio. mas perante a superioridade numérica do adversário hesitou em iniciar as hostilidades e continuou em frente, fazendo de conta que não dera por nada. Animados pela passividade dos portugueses, os maratas depois de se terem cruzado com o comboio, viraram de bordo e começaram a atacá-lo pela rectaguarda.



Primeiro apoderaram-se da Chalupa que ia mais a ré; depois capturaram todos os parangues; por fim atacaram e tomaram a outra Chalupa e o navio de Luis José que pouca resistência ofereceram. Logo que começou o ataque ao comboio, Costa de Ataíde que ia à frente , virou de bordo com a "Santa Ana" e foi em seu socorro. Mas o vento devia ser fraco; o que atrasou a manobra da nossa Fragata e quando esta entrou e acção já todos os navios mercantes e as duas chalupas haviam sido tomadas. Viu-se então a "Santa Ana" rodeada pelos gurabos e palas dos maratas, com os quais travou um furioso duelo de artilharia que durou várias horas. Mas ao que parece nem o treino nem a disciplina da sua guarnição eram das melhores. Reinava a confusão na coberta e o carregamento e disparo das peças era feito de uma forma atabalhoada. Daí resultou que a dada altura, teve lugar uma explosão de pólvora que queimou vários oficiais e soldados e deu origem a um incêndio. entrando em pânico um certo número de soldados lançaram-se ao mar sendo uns tantos recolhidos pelos navios maratas e outros respescados pelos companheiros que tinham ficado a bordo. o incêndio foi debelado e o combate prosseguiu. Porém a breve trecho teve lugar uma segunda explosão de pólvora que deu origem a novo incêndio e a mais uns tantos mortos e feridos graves. Entre estes últimos encontrava-se o comandante, que teve de ser substituido pelo Capitáo-tenente josé francisco Marques Giraldes. Mais uma vez os marinheiros conseguiram dominar as chamas que lavravam na coberta e a "Santa Ana" pôde continuar a descarregar os seus canhões e os seus mosquetes sobre os navios maratas. Mas o defeituoso manejo da artilharia persistia. Pela terceira vez ocorreu uma explosão de pólvora que originou novo incêndio, mais mortes e  mais feridos. Amedrontados, alguns soldados procuraram refúgio no porão com o que o fogo da "Santa Ana" esmoreceu. Apercebendo-se da dificil situação em que se encontrava a Fragata os maratas decidiram lançar-se à abordagem mas que das três vezes que o tentaram foram repelidos com perdas. por fim vendo-se com dez homens à sua volta em estado de combater Marques Giraldes rendeu-se. Dando largas à sua satisfação  os maratas guarneceram a Fragata com gente sua transferiram os prisioneiros portugueses para os seus navios e retomaram a sua viagem para Norte. A 23 de Março chegou a Pangim uma embarcação vinda do Sul que informou que o navio de Macau havia sido tomado pela equadra marata e que esta em breve passaria a largo de Goa. Nessa altura encontrava-se fundeada na barra do Mandoi a Fragata "Nossa Senhora da Penha de França", de 44 peças, acabado de chegar do Norte. O Governador nomeou seu comandante o Capitão-de-mar-e-guerra José Plácido de Matos Saraiva e ordenou-lhe que se fizesse imediatamente ao mar a fim de tentar recuperar o navio de Macau. No dia seguinte, estando a Fragata a últimar o seu aprontamento, chegou outra embarcação com a notícia  de que a esquadra marata se havia tomado da Cáfila do Canará e estava a combater com a "Santa Ana" junto à ilha de Angediva. Foi então decidido que a "Penha de França" seguisse para lá levando munições e soldados para aquela. Pelas quatro da tarde do dia 25, indo Matos Saraiva a navegar para Sul com a vibração de NW, ao largo de Salcete, voi avistada muito ao longe pela amura de EB, a esquadra marata a navegar para Norte.



Ao nascer do Sol de 26 os tripulantes da "Penha de França", agora a navegar com o terreal, voltaram a avistar os navios maratas divididos em dois grupos; relativamente perto da Fragata encontravam-se algumas palas e as galvetas com o navio de Macau, o Navio de Luis José, as duas chalupas os parengues e outros pequenos navios de mercadores índianos que tambem haviam sido apresados; bastante mais ao mar e portanto pelas restantes Palas que possivelmente, teriam poucas munições e estariam com o aparelho em mau estado em resultado do combate que tinham travado com ela. Essa talvez, a razão porque os navios maratas iam a navegar separados uns dos outros. Logo que chegou junto do grupo que estava mais perto de si. Matos Saraiva mandou içar a bandeira vermelha, convidando o inimigo para o combate, e logo a seguir abriu fogo. Após três horas de vivo duelo de artilharia as palas e as galvetas maratas abandonaram as presas que tinham consigo e bateram em retirada para junto dos navios que estavam mais a sotavento e que por esse facto, não tinham podido acorrer em seu auxilio. Enquanto decorria o combate do "Penha de França" e as Palas e Galvetas maratas, surgiu, vinda do Sul a Fragata "São Francisco Xavier", que como já dissemos atrás tinha sido encarregada de ir a Calicut buscar o navio de Macau. Informada de que este havia sido apresado pela esquadra marata, apressara-se a voltar para trás para o tentar libertar. Aproximado-se a todo o pano do local do combate, a "São Francisco Xavier", ainda teve oportunidade de disparar de longe algumas salvas sobre os navios maratas. Aliás é de supor que a sua chegada tenha sido o factor decisivo que levou aqueles a abandonar a luta. Recuperadas todas as presas que os maratas nos haviam feito à exepção da "Santa Ana", os comandantes das duas Fragatas reuniram-se em conselho de guerra, tendo decidido regressar à foz do rio Mandovi a fim de lá deixar o navio de Macau e permitir que a "Penha de França" remediasse as importantes avarias que sofrera no aparelho e se reabastecesse de munições. As Chalupas. o navio de Luis Jusé, os pagueres e as embarcações indianas recolheram ao rio do Sal. É provável que no dia seguinte as duas fragatas acompanhadas pela Pala "São Pedro" e pelo Patacho "São Miguel", se tenham voltado a fazer ao mar a fim de tentarem recuperar também a "Santa Ana". mas não o conseguiram. Constatando que a armada ínimiga já havia entrado em Vijayadruga (Griem), que era uma das antigas bases dos Angriás, regressaram a Goa. Em Abril de 1776 o Vice-Rei por meio de negoçiações com os Maratas viria a conseguir que estes nos restituissem a "Santa Ana", que se consevou ao derviço aé 1804.


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