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quinta-feira, dezembro 25, 2014

A Rota da Carreira da Índia XVI - XVIII


Porto de Escala das Embarcações da Carreira da Índia


Costa da Índia



Fortaleza de Santo Ângelo de Cananor


A Fortaleza de Santo Ângelo de Cananor, também referida como Castelo de Santo Ângelo ou Fortaleza de Cananor, localizava-se na cidade portuária de Cananor, no estado de Kerala, na costa sudoeste da Índia. A costa do Malabar constituía-se numa expressiva região produtora e exportadora de especiarias, nomeadamente a pimenta. Ao final do século XV caracterizava-se politicamente como um mosaico de pequenos reinos. Estes, embora maioritariamente hindus, abrigavam comunidades expressivas de mercadores islamizados. Entre eles incluía-se o reino de Kolathunad, cujos rajás pertenciam à família Kolathiri. Na passagem para o século XVI, o porto de Cananor era o mais destacado deste reino, atrás apenas, a nível regional, pelo principal entreposto de especiarias do Malabar, a cidade de Calecute. Tornou-se possessão portuguesa entre 1505 e 1663, quando foi conquistada por forças neerlandesas, passando depois para o domínio. A cidade foi avistada pela armada de Vasco da Gama já em 1498, mas só foi visitada por uma armada portuguesa em janeiro de 1501, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, em resposta a um convite do soberano local. Ao final desse mesmo ano, a armada de João da Nova, assinalou a presença portuguesa em Cananor com o estabelecimento de uma feitoria, reorganizada no ano seguinte (1502) por Vasco da Gama, que ali deixou como feitor Gonçalo Gil Barbosa. Daqui eram exportados principalmente gengibre, cardamomo, e importados cavalos para os exércitos do Império de Vijayanagara.


As rivalidades com os mercadores islamizados locais logo se fizeram sentir, de modo a que, em Outubro de 1505, a armada do futuro Vice-rei, D. Francisco de Almeida demorou-se na cidade, em negociações com o soberano local para a construção de uma fortaleza capaz de defender a feitoria. Bem-sucedida, a fortificação começou a ser erguida ainda no mesmo ano, em posição dominante sobre um extenso promontório que se projectava sobre o mar, dominando a baía, a alguma distância a leste da cidade de Cananor. Principiou-se por erguer uma muralha pelo lado de terra, antecedida por um fosso, atrás da qual se desenvolvia o corpo da feitoria-fortaleza, dominado pela torre de menagem, ao lado da qual se erguia a casa do capitão. Entre maio e agosto de 1507, a fortaleza sofreu um duro assédio, o chamado cerco de Cananor. O ataque deveu-se a uma questão de sucessão dinástica na família Kolathiri que conduziu ao trono um herdeiro favorável aos interesses do Samorim de Calecute e da comunidade de mercadores islamizados de Cananor, tradicionais inimigos dos portugueses. O Vice-rei D. Francisco de Almeida foi avisado da preparação do mesmo pelo corsário hindu Timoji, que abasteceu a fortaleza durante o cerco. Este apenas foi levantado diante da chegada de uma armada de socorro (27 de agosto de 1507, sob o comando de Tristão da Cunha, que levou o soberano local a assumir uma posição conciliatória com os Portugueses. Francisco Serrão integrava esta armada. O episódio é recordado em um verso de 'Os Lusíadas': "Vereis a fortaleza sustentar-se / De Cananor, com pouca força e gente; (...) ". Em agosto de 1509 Almeida, recusando-se a reconhecer Dom Afonso de Albuquerque como novo governante a sucedê-lo, deteve-o nesta fortaleza após a Batalha Naval de Diu. 


Albuquerque foi libertado após três meses de confinamento, e assumiu o cargo com a chegada de uma frota maior, em Outubro de 1509. Albuquerque fez reconstruir a fortaleza. A fortaleza foi reforçada em 1526 por iniciativa do então governador Dom Lopo Vaz de Sampaio. A Cananor portuguesa desenvolvia-se então a leste do corpo central da fortaleza: entre esta e a muralha exterior situava-se a parte habitacional onde, no século XVII residiam cerca de quarenta famílias de 'casados' portugueses e trinta de 'casados da terra' (cristãos nativos). A oeste, na extremidade do promontório, localizavam-se o cais e as edificações do hospital, dos armazéns (mantimentos e munições), e uma ermida. Para além das muralhas da cidade portuguesa, desenvolvia-se uma área mista, habitada por população luso-indiana ou cristianizada, além de uma pequena aldeia piscatória hindu. A cidade nativa de Cananor, designada como 'bazar dos mouros' pelas fontes portuguesas, situava-se no centro da baía a alguma distância da fortaleza portuguesa. Sob o governo do Vice-rei Dom Antão de Noronha, durante o cerco de 1565, Dom António de Noronha foi o responsável pela sua defesa, uma vez que o seu capitão à época, Dom Paio de Noronha a desejava abandonar. Em 1663 Cananor foi conquistada por forças neerlandesas, ano da queda da cidade de Cochim, pondo fim à influência comercial português na costa do Malabar. Os neerlandeses modernizaram a antiga fortificação portuguesa, sendo erguidos novos baluartes, com os nomes de 'Hollandia', 'Zeelandia' e 'Frieslandia', que são as principais estruturas que chegaram aos nossos dias. A primitiva estrutura portuguesa foi posteriormente demolida. Os neerlandeses venderam a fortificação ao sultão Ali Raja de Arakkalem 1772. A cabeça de Kunjali Marakkar foi exibida nos muros da fortaleza após o seu assassinato. Da fortificação manuelina, com grandes alterações introduzidas no século XIX pelos britânicos, restam apenas vestígios da primitiva torre e do muro sobre as rochas da praia. Poucos anos mais tarde, em 1790 foi conquistada por forças britânicas, quando se converteu no quartel-general das forças militares britânicas na costa do Malabar até 1887. A fortificação portuguesa, na extremidade de uma ponta rochosa, era dominada por uma torre de três pavimentos, em torno da qual se encontravam as casas do capitão e a feitoria, conjunto essencialmente inalterado até ao século XVII. A cidade portuguesa encontrava-se envolvida por um muro abaluartado numa extensão de 550 metros, defendido por um fosso.

Fortaleza de Diu


A fortaleza de Diu, localizada numa ilha ao largo da costa noroeste da Índia. Em 1509, os Portugueses derrotaram as forças do Sultão de Gujarat na Batalha de Diu, garantindo assim uma posição dominante nas rotas comerciais do Oceano Índico. Construção deste complexo composto por guarnição-fortaleza começou em 1535, sob um acordo com o sultão, mas o acordo não prosperou e as tropas do sultão atacaram o forte em 1537. A fortaleza foi reconstruída em 1545 por João de Castro (1500-1548), um comandante naval Português e o quarto vice-rei da Índia Portuguesa.


Fortaleza de Ormuz


O forte português em Ormuz, localizado na ilha do Golfo Pérsico de Ormuz. No seu apogeu, Ormuz foi um dos mais importantes portos do Oriente Médio, controlando rotas comerciais entre a Índia e a África Oriental. Antes de ficar sob o controle Português no início dos anos 1500, Ormuz foi uma cidade-estado que floresceu como reino independente. Sua localização privilegiada ao longo de rotas comerciais fez dela uma das cidades mais ricas do mundo. Os Portugueses controlaram a cidade e seu porto de 1515 até 1622, quando foram expulsos da região pelos Persas.


Fortes em Africa - África Oriental

Fortaleza de São Sebastião


A Fortaleza de São Sebastião da Ilha de Moçambique localiza-se na ilha de Moçambique e cidade de mesmo nome, na província de Nampula, em Moçambique. A ilha, com apenas 2,5 quilómetros de comprimento por cerca de 1 quilómetro de largura, localiza-se a cerca de 5 quilómetros na costa norte do país, entre o canal de Moçambique e a baía de Mossuril. A cidade de Ilha de Moçambique foi a capital da África Oriental Portuguesa entre os anos de 1570 e 1898 (quando se deslocou para Lourenço Marques, actual Maputo), tendo-se constituído num importante centro missionário. A fortaleza foi erguida no século XVI pelas forças portuguesas com fim de dar protecção e apoio às naus em trânsito de e para o Oriente, a chamada Carreira da Índia. Considerada como o mais representativo exemplo da arquitectura militar portuguesa na costa da África oriental, atendeu, complementarmente, ao tráfego marítimo regional para Quelimane, Sofala, Inhambane e Lourenço Marques.


Ilha de Moçambique
(1810).


À época da chegada de Vasco da Gama (1498), a ilha de Moçambique constituía-se em uma povoação Swahili governada por um xeque, subordinado ao sultão de Zanzibar. Constituía-se então no maior porto islâmico e no maior centro de construção naval do leste africano, relacionando-se com o Mar Vermelho, a Pérsia, a Índia e as ilhas do Índico. Após a fundação de uma feitoria Portuguesa em Sofala desde 1505, aqui também foi estabelecida uma feitoria desde 1507, em busca do ouro do Monomotapa e para dar apoio às armadas da Índia que aqui faziam a invernada, "com casas pera recolhimento da gente". Nestas feitorias eram permutados panos e missangas da Índia pelo ouro, escravos, marfim e pau-preto oferecidos naquele trecho da costa africana. Para a sua defesa, por determinação de Vasco Gomes de Abreu, capitão de Sofala (e por extensão, então governador de Moçambique, subordinado a D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei do Estado Português da Índia), o feitor, Duarte de Melo, iniciou em 1508 a Torre de São Gabriel, mais comumente referida como Torre de Moçambique.


Fortaleza de São Sebastião
Moçambique.


Por volta de 1538, o sultão do Guzerate celebrou um acordo com a Sublime Porta visando reconquistar Diu, então em mãos dos Portugueses. Esta aliança rompia o equilíbrio de forças existente na região, trazendo insegurança às posições Portuguesas no Índico Ocidental, entre as quais Moçambique já desempenhava um papel estratégico. As galeras turcas, artilhadas, passaram a aventurar-se até Melinde apoiando a revolta das cidades Swahili contra a tutela Portuguesa, entre as quais a de Mombaça, aumentando o clima de insegurança naquele litoral. A primitiva Torre de São Gabriel, nesse contexto, tornava-se vulnerável a um ataque com artilharia dos turcos. Por essa razão, o Capitão-mor da costa de Melinde, João de Sepúlveda, fez a recomendação, à época, da construção de uma nova e mais poderosa fortaleza na Ilha de Moçambique capaz de preservar esta escala estratégica da ameaça turca. O quarto Vice-rei do Estado Português da Índia, D. João de Castro, em carta ao rei D. João III (1521-1557), datada de Agosto de 1545, ao partir da ilha em direcção a Goa, onde ia assumir as suas funções, sobre o assunto referiu:

"(…) desta fortaleza [de São Gabriel] não deue V. A. de fazer nenhum fumdamento que se pode guardar como aguara esta, nem pêra a mamdar forteficar, asy por ser muyto pequena como por estar no majs roym sytyo de toda a Ilha, e a despesa que se nela fizer per estes dous respeitos será botada a lomje, porque he em sy tam pequena que com mais verdade se poderá chamar bastião ou baluarte que castelo e fortaleza." (D. João de Castro. Obras completas.)

Na mesma carta ao soberano, D. João de Castro preconizava uma nova fortaleza capaz de enfrentar a ameaça da então moderna artilharia turca, juntando um projecto de sua autoria, elaborado na ocasião. No ano seguinte, por carta de 8 de Março de 1546, o soberano respondia-lhe, agradecendo as informações e "o debuxo (…) da fortaleza de Moçambique", e informando-o de que encarregara o arquitecto Miguel de Arruda de a desenhar. As directrizes apontadas por D. João de Castro para a sua construção condizem, em linhas gerais, com a actual Fortaleza de São Sebastião, em uma extremidade da ilha, dominando o canal de acesso ao porto interior, com dois baluartes sobre a praia pelo lado virado à ilha permitindo o fogo cruzado. Aparentemente Miguel de Arruda limitou-se a fixar o projecto que D. João de Castro remetera ao soberano. Ainda de acordo com este plano, o canal de Sancul deveria ser obstruído, o que nunca ocorreu. Francisco Pires, mestre de pedraria encarregado das obras da Fortaleza de Diu, levou consigo para a Índia, naquele ano de 1546, este risco para a nova fortificação de Moçambique.


Apesar da prioridade que a Coroa deu ao projecto, o Estado Português da Índia estava envolvido, entre outros, com o reforço do sistema defensivo de Ormuz, pelo que as obras da Fortaleza de São Sebastião apenas começaram em 1554 ou 1555. De acordo com Frei João dos Santos, o traçado da Fortaleza de Moçambique é da autoria de um sobrinho do arcebispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires, "o qual arquitecto sendo mancebo se foi a Flandres, donde tornou grande oficial de arquitectura". Este arquitecto teria sido enviado em 1558 à Índia com a tarefa de erguer fortalezas em Moçambique e Damão. Possivelmente limitou-se a dar início à execução do projecto de Miguel de Arruda, que por sua vez obedecia aos ditames de D. João de Castro. É fato que as obras avançaram muito lentamente, encontrando-se interrompidas em várias ocasiões: à escassez de mão-de-obra qualificada somava-se a dificuldade do clima que dizimava os pedreiros, oriundos em sua maior parte das praças portuguesas da Índia. A mão-de-obra não-qualificada era composta por escravos dos moradores da fortaleza, sem os quais teria sido impossível concluir a obra. A praça foi guarnecida, ainda incompleta, em 1583, por um destacamento sob o comando de Nuno Velho Pereira, responsável pela construção dos armazéns e quartéis, conforme uma inscrição epigráfica encontrada sob várias camadas de cal, nos trabalhos de recuperação que tiveram lugar na década de 1960. O seu comandante, embora subordinado ao Vice-rei da Índia, era o responsável pelo comércio da região do Zambeze.


No contexto da Dinastia Filipina, a fortaleza suportou vitoriosos os assaltos neerlandeses em 1604, 1607 e 1608, embora com severos danos às suas muralhas e edifícios, causados pelo intenso fogo da artilharia inimiga. Obras de conservação e reparos foram concluídos em 1620, tendo sofrido ligeiras alterações de traçado, conforme gravura neerlandesa de 1635. A primitiva entrada, rasgada no troço da muralha entre os baluartes de São Gabriel e de Santa Bárbara, voltada para o interior da ilha, que se revelou vulnerável ao fogo da artilharia neerlandesa, foi entaipada e transferida, em algum momento nessa altura, para o troço da muralha entre os baluartes de São Gabriel e de São João. Essa primitiva Porta de Armas foi posta a descoberto em 1945, durante trabalhos realizados pela Comissão dos Monumentos. Ainda no século XVII resistiu ao assalto por forças muçulmanas de Mascate em 1669 e novamente em 1704, após a perda do Forte Jesus de Mombaça (1698). Em algum momento no século XVIII, foram-lhe procedidas novas obras de reparo e ampliação, que lhe conferiram o seu actual aspecto e dimensões. O último ataque à fortaleza foi conduzido por tropas francesas, durante as guerras que se seguiram à Revolução Francesa (1793-1797), ao qual também resistiu, invicta. À semelhança da Praça-forte de Mazagão, a Fortaleza de São Sebastião apresenta planta no formato rectangular com a extensão de cento e dez metros pelos lados maiores, com quatro baluartes nos vértices, três de formato triangular e um em forma de espigão, sob a invocação de São João, de Nossa Senhora, de São Gabriel e de Santa Bárbara. Deles, a traça do de São Gabriel, o de maiores dimensões, com vinte e quatro canhoneiras, foi consideravelmente alterada, tendo sido demolidos dois dos espigões que davam à fortaleza o aspecto de um polígono estrelado, que se observa em gravuras Neerlandesas do início do século XVII, nomeadamente em 1635. As suas muralhas assentam na rocha, defrontando-se com o mar pelas faces Norte, Leste e Oeste. Apenas a face Sul, voltada para o lado de terra, permite um assalto.


Em seu auge, a fortaleza disponibilizava quartéis para tropas, capela, hospital e armazéns. As habitações dos oficiais eram assobradadas, sendo o chão dos quartéis e dos armazéns coberto de colmo. No seu interior destaca-se a cisterna, com capacidade para cerca de duas mil pipas de água. Aberta na década de 1580, foi restaurada em 1605 pelo capitão Sebastião de Macedo e, posteriormente, em outras épocas. Foi concluída durante uma única invernada, graças à mão-de-obra abundante e ociosa da gente da armada, sem que obedecesse a qualquer plano prévio. Constituía-se em uma torre de torre quadrada, em estilo manuelino, dividida internamente em três pavimentos, defendida por uma muralha circundante, com torres menores nos vértices. Foi artilhada e guarnecida por quinze homens. A torre cumpriu plenamente a sua finalidade até que, em 1538, a aliança entre o sultão do Guzerate e os Turcos para a recuperação da Praça-forte de Diu, já então na posse dos portugueses, fez temer pela segurança das posições portuguesas no Índico Ocidental. Ainda assim, apenas duas décadas mais tarde, em 1558 a primitiva torre foi substituída por uma fortificação de maiores dimensões e de traça mais moderna, a Fortaleza de São Sebastião, em novo local. A agora denominada Torre Velha foi parcialmente desmantelada pelos Neerlandeses durante os cercos do início do século XVII. Os religiosos da Companhia de Jesus haviam obtido o terreno onde a torre se erguia, com a condição de completarem a demolição da estrutura e de não erguerem construções que pudessem ser usadas como padrasto à nova fortaleza por parte de futuros atacantes. Porém, ignorando as ordens régias, a fortíssima estrutura da Torre Velha foi reaproveitada como alicerce da capela do Colégio de São Paulo, atual Palácio dos Capitães-Generais, nela vindo a estabelecer-se uma bateria Neerlandesa que causou pesados danos às muralhas da Fortaleza de São Sebastião durante os ataques de 1607 e 1608. Ainda no século XVI, com o objectivo de defender a parte norte da ilha de Moçambique, foi erguido um pequeno baluarte artilhado, onde mais tarde seria erguida a Capela de Nossa Senhora do Baluarte (1522), templo este que é considerado a mais antiga edificação europeia na costa oriental africana.


Forte de Quíloa


O 'Forte de Quíloa', também referido como 'Fortaleza de Quíloa', localiza-se na ilha de Kilwa, na costa sueste da atual Tanzânia. Encontra-se compreendido nas ruínas de Kilwa Kisiwani e de Songo Mnara, duas pequenas ilhas à entrada de uma baía a sul de Dar-es-Salam. As ruínas constituem os remanescentes de dois grandes portos comerciais onde, entre os séculos IX e XVI, eram trocados o ouro e o ferro do Zimbabwe, escravos e marfim de toda a África Oriental, por especiarias, tecidos, porcelana e jóias da Ásia. Considera-se que a importância do Forte de Quíloa decorre do fato de se tratar do primeiro exemplar de arquitectura militar de pedra e cal levada a cabo de acordo com um modelo arquitectónico pré-moderno, representativo da primeira fase da expressão construtiva do Império Português do Oriente. As ilhas de Kilwa Kisiwani e de Songo Mnara parecem ter sido ocupadas no século IX, provavelmente por populações Swahili. Nessa época, um chefe da ilha de Kilwa Kisiwani vendeu-a a um mercador árabe chamado Ali bin Al-Hasan, fundador da Dinastia Shiraz. Entre os séculos XI e XV, os seus descendentes nelas estabeleceram o mais poderoso centro comercial da África Oriental. No século XIII, os seus chefes dominavam todos os centros comerciais da costa africana, desde a ilha de Pemba, a norte, até Sofala, no sul. O mundo ocidental ficou a conhecer Kilwa através dos escritos do geógrafo marroquino Ibn Batuta, que a visitou em 1331. Ele ficou extasiado pela "(...) beleza da grande cidade, com edifícios construídos de pedra de coral, normalmente com um único piso e pequenos compartimentos separados por maciças paredes e com telhados formados de placas da mesma pedra, suportados pelas paredes e por estacas de mangal (...) e (...) estruturas formidáveis de vários pisos e algumas belamente ornamentadas com pedra esculpida nas entradas, tapeçarias e nichos cobrindo as paredes e o chão com carpetes (...)".

Em 1500, a caminho da Índia, o navegador português Pedro Álvares Cabral também visitou Kilwa e referiu as belas casas de coral e seus terraços, pertencentes a 'mouros negros', o que atraiu a atenção dos portugueses. Com a presença destes na região, a fortuna de Kilwa mudou radicalmente. Vasco da Gama invadiu a ilha em 1502 tornando-a tributária de Portugal. Como o sultão cessasse de pagar o seu tributo, em 24 de Julho de 1505, as forças do primeiro Vice-rei do Estado Português na Índia, D. Francisco de Almeida (1505-1509), conquistaram-na e iniciaram a construção da primeira fortificação portuguesa de pedra e cal na África Oriental.

O Forte de Santiago de Quíloa

A construção do forte português em Quíloa iniciou-se no dia subsequente à conquista (25 de Julho de 1505), tendo as obras ficado a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes. Obra de raiz, tinha como função proporcionar abrigo às naus da Carreira da Índia que demandavam aquele porto e, acessoriamente, a de defesa contra eventuais inimigos. D. Francisco de Almeida, em carta a Manuel I de Portugal (1495-1521) descreveu a fortificação então construída:

"Fizemos Senhor allii huuma fortaleza que se podesse ser compraria por anos de minha vida vee la Vossa Alteza porque he tam forte que se esperara nela el rei de França e tem apousentamento de muito boas casas pera duas tamta jemte como aly fica e desembarquom os batees as pipas por huuma esquada de seis degraaos demtro no baluarte que he o mais forte da casa. Ally Sennhor pus em monte e espallmey todas as naos e deixei a fortaleza muito bem abastecida e todas estas obras se fizerom em dezassete dias mas os fidalgos e de hi pera baixo todos trazem os braços mais compridos da padiulla e leixei ordenada a casa pera a especearia demtro na fortaleza onde os bateis a podem meter nela."

É ainda descrita, por outras fontes:

" (...) que havia de ter a fortaleza em quadra, que per quadra tinha sessenta braças, e em hum canto pera a banda da cidade huma torre quadrada, sobradada com o andar do muro (...) toda a obra em roda se fazia com outra torre quadrada per a banda da baya, em que a terra fazia uma ponta, e na torre a porta pera o mar, e nas casas dentro mandou alevantar a torre de menagem, de dous sobrados fortes, com janelas pera todas as partes, de que podia jogar artilharia."
  
Em Setembro de 1506, um grupo de pedreiros portugueses e quatro pedreiros "mouros "acabaram de cerrar hos muros de dentro" e a "torre de sobola porta do baluarte", encontrando-se a fortaleza equipada, em Fevereiro de 1507, com 73 armas de fogo, quantidade expressiva à época. Embora tenha sido a primeira fortificação de vulto a ser erguida na costa oriental africana, teve curta existência. De manutenção dispendiosa, gerando recursos insuficientes para a aquisição de especiarias no Oriente pela Coroa portuguesa, foi abandonada em 1512, concentrando-se as suas funções na Torre Velha de Moçambique. A reconquista Islâmica. Em 1512, a ilha foi ocupada por uma força Islâmica e voltou a ser uma cidade-estado Swahili até 1784, quando se tornou num protectorado do Omã e voltou a perder o seu poderio. Em 1843, a cidade vizinha de Kilwa Kivinje, a cerca de 20 km a norte, na costa, passou a ser utilizada como porto e Kilwa Kisiwani foi abandonada e os seus edifícios caíram em ruínas.

Forte Jesus de Mombaça


O Forte Jesus de Mombaça, também referido como Fortaleza de Jesus de Mombaça, localiza-se na cidade de Mombaça, no atual Quénia. Ergue-se no topo de uma formação de coral, sobranceira à entrada do antigo porto de Mombaça, e tinha a função de defesa daquela escala das rotas comerciais portuguesas entre o Estado da Índia e os seus interesses na África Oriental, na passagem do século XVI para o XVII. Nesta povoação Swahili, em um dos melhores portos de águas profundas da costa oriental africana, em posição estratégica frente ao subcontinente indiano, constitui-se um importante entreposto comercial islâmico, que mantinha significativas relações com Cambaia e Sofala. Ao contrário de Melinde, Mombaça hostilizou a presença da frota de Vasco da Gama em 1498, vindo a ser atacada em 1505, em represália, por D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei do Estado Português da Índia. Nos anos seguintes, por diversas ocasiões foi alvo de ataques portugueses, o último dos quais, conduzido por D. Nuno da Cunha, em 1528. Este, a caminho de Goa onde viria a tomar posse como Governador-geral do Oriente, decidiu pela destruição da cidade, arrasada na ocasião. No contexto da Dinastia Filipina, diante de alterações nas condições que mantinham a principal base de operações portuguesa na feitoria de Melinde, foi decidida a transferência das suas operações para Mombaça, com a ocupação definitiva desta cidade em 1585. Diante dos ataques dos turcos otomanos em 1585 e em 1588, para guarnecer este porto estratégico, foi projectada pelo arquitecto militar milanês Giovanni Battista Cairati, arquitecto-mor de Portugal no Oriente sob o reinado de Filipe I de Portugal (1580-1598), uma fortificação compacta e poderosa, a Fortaleza de Jesus de Mombaça. As obras foram iniciadas pelo seu primeiro capitão, Mateus Mendes de Vasconcelos, a partir de 11 de abril de 1593 e estavam concluídas em 1596.


Após a partida de Mendes de Vasconcelos, as relações entre os Portugueses e o sultão de Mombaça começaram a deteriorar-se. Foi nesse contexto que, em 1626, Muhammad Yusif, educado em Goa onde recebera o batismo cristão e o nome de Dom Jerónimo Chingulia, foi feito sultão. No poder, a 16 de agosto de 1631, as suas forças penetraram de surpresa na fortaleza, matando o seu capitão, Pedro Leitão de Gamboa, e massacrando toda a população portuguesa de Mombaça; 45 homens, 35 mulheres e 70 crianças. Tão logo a notícia chegou à Índia, uma expedição portuguesa foi organizada em Goa e enviada para a retomada de Mombaça. Entretanto, após um cerco que se estendeu por dois meses, de 10 de Janeiro de 1632 a 19 de Março de 1632, a empreitada foi abandonada. Em 16 de maio o sultão abandonou a posição em Mombaça e tornou-se um pirata. Finalmente, em 5 de agosto de 1632 a pequena força portuguesa sob o comando do capitão Pedro Rodrigues Botelho, que havia permanecido em Zanzibar, reocupou a fortaleza. Obras de ampliação e reforço da fortificação tiveram lugar em 1639. Em Fevereiro de 1661 o sultão de Omã saqueou a parte Portuguesa da cidade de Mombaça, mas não dirigiu nenhum ataque à fortaleza. Em 1696 uma grande expedição islâmica de Omã atingiu Mombaça, impondo cerco à fortaleza a partir do dia 13 de março. A sua guarnição constituía-se então por de 50 a 70 soldados Portugueses e algumas centenas de nativos leais. A fortaleza recebeu auxílio, em Dezembro desse ano, de uma expedição Portuguesa enviada para esse fim, mas nos meses seguintes, uma epidemia matou todos os Portugueses da guarnição e, a 16 de Junho de 1697 a defesa da praça encontrava-se nas mãos do xeque Daud de Faza, com 17 de seus familiares, 8 Africanos e 50 Africanas. Em 15 de Setembro de 1697 uma embarcação Portuguesa chegou com alguns reforços e, no final de Dezembro do mesmo ano, outra chegou de Goa também com alguns soldados. Na manhã de 13 de Dezembro de 1698, após dois anos e nove meses de assédio, as forças de Omã fizeram um ataque decisivo, logrando finalmente tomar o forte, cuja guarnição estava reduzida ao Capitão, nove homens e um religioso, frei Manoel de Jesus. Sete dias mais tarde, uma frota com reforços Portugueses chegava a Mombaça, mas era tarde demais, com a conquista do Forte Jesus, toda a costa dos atuais Quénia e Tanzânia, juntamente com Zanzibar e Pemba, caiu em mãos das forças islâmicas de Omã.


Graças a uma revolta das tropas africanas contra os governantes de Omã, o sultão de Pate, a quem o forte foi oferecido, entregou-o aos Portugueses em 16 de Março de 1728. No ano seguinte 1729, uma revolta dos habitantes de Mombaça contra os Portugueses conduziu a um novo cerco ao forte no mês de abril, forçando a rendição da guarnição em 26 de Novembro desse mesmo ano. A sua planta apresenta o formato de um quadrilátero, com baluartes nos vértices (os dois pelo lado de terra triangulares, em forma de espigão, e os dois voltados para o mar, em triângulo obtuso) respectivamente sob a invocação de São Filipe, Santo Alberto, São Matias e São Mateus. Próximo ao baluarte de São Matias rasga-se o portão de armas, encimado por uma lápide com a inscrição:

"Reinando em Portugal Phellipe de Austria o primeiro por seu mandado fortaleza de nome Jesus de Mombaca aomze dabril de 1593 Visso Rei da India Mathias Dalboquerque Matheus Mendes de Vasconcellos que pasou com armada e este porto arquitecto mor da India João Bautista Cairato servindo de mestre das obras Gaspar Rodrigues."


A planta do Forte Jesus repete-se no Forte dos Reis Magos, em Natal, na costa nordeste do Brasil, iniciado em 1598 pelo jesuíta Gaspar de Samperes, que fora "mestre nas traças de engenharia na Espanha e Flandres" e discípulo do italiano Giovanni Battista Antonelli, uma coincidência decerto explicável pelo uso das mesmas fontes. O forte português em Ormuz, localizado na ilha do Golfo Pérsico de Ormuz. No seu apogeu, Ormuz foi um dos mais importantes portos do Oriente Médio, controlando rotas comerciais entre a Índia e a África Oriental. Antes de ficar sob o controle Português no início dos anos 1500, Ormuz foi uma cidade-estado que floresceu como reino independente. Sua localização privilegiada ao longo de rotas comerciais fez dela uma das cidades mais ricas do mundo. Os Portugueses controlaram a cidade e seu porto de 1515 até 1622, quando foram expulsos da região pelos Persas.

Fortes da Baía - Brasil


Forte da Gamboa

Situado abaixo do Forte de São Pedro, o Forte da Gamboa liga-se a ele por um túnel. Aderiu à revolta do Batalhão dos Periquitos, em Outubro de 1824, e esteve sob mira dos revoltosos durante a Sabinada. É considerado por alguns historiadores como um dos poucos fortes de verdade que existem na Bahia, pronto para defender a cidade.

Forte de S. Maria


Chamado por alguns historiadores de Fortim, o Forte de Santa Maria foi construído no século XVIII, provavelmente entre 1624 e 1634, numa rocha, bem próximo à praia, no Porto da Barra. Com planta heptagonal de tipo italiano, o acesso à casa de comando se dá por uma ponte. De pequeno porte e de poderio bélico quase nulo, o Forte, desarmado após a Sabinada, é hoje um “simples ornato da entrada do golfão e sugestivo monumento do nosso passado histórico”. Apesar das inúmeras reformas sofridas, ele guarda seu aspecto original. Na parede esquerda do corpo de guarda há um nicho com a imagem de Santa Maria, padroeira da praça de guerra.


Forte de Santo Alberto/Forte da Lagartixa



Água de Meninos, Fortinho dos Franceses, depois Forte de Santo Alberto, e Forte da Lagartixa. Há muito banhado pelo mar, hoje está bastante afastado, em consequência das obras de aterro realizadas no início do século XX para a construção do porto de Salvador. Localizado na avenida Jequitaia, na Cidade Baixa, o Forte da Lagartixa teve papel importante nas duas invasões holandesas (1624 e 1630). Em 1624 foi ocupado pelos holandeses, pois estava abandonado. Ali morreu o governante holandês da Bahia recém-conquistada, Johan van Dorth, coronel da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1838 foi ocupado pelos sabinos. Abriu fogo contra lanchas da fragata 'Príncipe Imperial' e demais navios que bloqueavam o porto. Por ocasião da guerra da Independência, em 2 de Julho de 1823, anunciou com um tiro de canhão, ao exército de Madeira de Melo, que havia chegado a hora de se retirar.


Forte de S. António Alem do Carmo



Edificado no século XVI, teve sua construção ligada a uma história pitoresca, quase uma lenda; Conta-se que El-Rei D. Felipe foi informado, durante a invasão holandesa, que um negro, escravo do vigário da Freguesia de Santo Antônio, prestava serviços à Coroa de cima de um jenipapeiro. Dali, esse negro matava a pedradas quantos holandeses pudesse alcançar, por isso pedia sua alforria e a fundação, no local do jenipapeiro, de uma fortaleza com o nome de Santo Antônio, porque Antônio era o nome desse negro.


Forte de S. António da barra


O atual Farol da Barra é uma das mais antigas fortificações militares da Bahia. Construído no século XVI, na antiga Ponta Padrão, já servia de orientação à população, quando, com disparos, alertava a cidade, como por ocasião do naufrágio do galeão Sacramento, em que morreram 800 pessoas. Foi peça importante na luta contra os holandeses, na guerra da Independência e na Sabinada. Erguido em função de uma perspectiva de defesa da cidade contra invasões, sua actividade teve maior destaque por ocasião da chegada dos holandeses, que apesar dos sete canhões do Forte, acabaram por desembarcar no Porto da Barra. O Forte é protegido por Santo Antônio, que recebia soldo, de acordo com lei aprovada em Portugal, por serviços prestados à defesa da cidade. Sua estrutura atual corresponde à reforma feita no século XVIII e XIX. Em 1937 foi concluído o serviço para sua electrificação, quando foi retirada a instalação a querosene e colocado o farol com suas funções atuais.


Forte de S. Diogo


O Forte de São Diogo está localizado na entrada da Barra, próximo ao Forte de Santa Maria, “no sopé da colina de Santo Antônio da Barra”, distrito da Vitória. Construído no século XVII pelo governador Diogo Luiz de Oliveira, em uma área de 650 metros quadrados, com 120 de perímetro murado, foi reconstruído em 1704 pelo governador Rodrigo da Costa. Sua construção surgiu da necessidade de se fortificar melhor a enseada do Porto da Barra, após a invasão dos holandeses. De simples trincheira, São Diogo transformou-se em Forte em 1638, por ocasião da tentativa de Maurício de Nassau de mandar seus navios simularem um desembarque de tropas na Barra, com o objetivo de desorientar os defensores da cidade.


Forte de S. Marcelo ou Forte do Mar


O Forte de São Marcelo é uma construção imponente em forma de coroa, que domina a Baía de Todos os Santos, formando uma ilha circular. Datado do século XVII, e a princípio denominado Forte de Nossa Senhora do Pópulo, ergue-se em frente ao porto de Salvador, dentro do quebra-mar, construído sobre pedras que afloravam na maré baixa. Durante parte de sua história, foi transformado em prisão, confinando ali muitos homens ilustres da Bahia, como Cipriano Barata. O Forte desempenhou papel importante na lutas que se travaram na Baía de Todos os Santos, a exemplo da Sabinada. Serviu, durante algum tempo, de depósito de pólvora e de prisão a estudantes revoltosos ou indisciplinados.


Forte de S. Pedro


O Forte de São Pedro originou-se de antigas trincheiras levantadas após a expulsão dos holandeses, nas chamadas Portas da Vila Velha, ao lado da ermida de São Pedro. Com a finalidade de defender a cidade de uma nova invasão holandesa, sua construção em alvenaria tem início em 1646, no governo de Antonio Telles da Silva, com o auxílio de senhores de engenho e lavradores de cana-de-açúcar do Recôncavo. Essa construção impedia a penetração por terra e por mar. Construído em pedra e cal, com forma retangular e quatro baluartes, tinha sobre eles 37 peças montadas, que se moviam. Circulava-o ainda um fosso com ponte levadiça, além de um parapeito que alcançava o fosso. O Forte de São Pedro teve participação efetiva na história da Bahia; “torre de mensagens de motins estreitamente ligados aos movimentos libertários na Bahia. Lá se reuniam conspiradores da Revolução dos Alfaiates, lá se desenvolveu o prólogo da Independência, a fermentação da Sabinada; às sombras de suas muralhas foi proclamada a república da Bahia, em 17 de novembro de 1889; dentro dele muito se confabulou na Revolução de 1930”.

Forte do Barbalho


Um das mais antigas fortificações da Bahia, o Forte do Barbalho foi construído na primeira metade do século XVII, em 1636. Sua forma é a de um quadrado, com um baluarte em cada vértice, circundado por um fosso de 2,5m de profundidade. Diferentemente do Forte de São Pedro, que abrigou revoltas e motins, o Forte do Barbalho serviu de prisão para portugueses trazidos da África; franceses, prisioneiros de guerra; ingleses, contrabandistas de pau-brasil; do presidente deposto da província de Sergipe, brigadeiro Carlos César Burlamaquine; de oficiais e civis que em 1821 tentaram depor a junta provisória do governo provisório da Província. O Forte também foi ocupado pelo Brigadeiro Madeira de Melo, por ocasião da guerra pela Independência da Bahia.

Fortes em Africa - África Ocidental


Fortes das Regiões de Volta, Greater, Accra, Central e Western

As fortalezas e castelos das regiões Volta, Greater, Accra, Central e Western são os remanescentes de antigos fortes-feitorias, erigidos pelos Europeus entre 1482 e 1786, e que ainda podem ser vistos por toda a costa do Gana, na África Ocidental. Constituíam-se em entrepostos de comércio fortificados, estabelecidos inicialmente pelos portugueses em muitas regiões do mundo, durante a era de expansão marítimo-comercial, a partir do século XV.
Entre os seus remanescentes, destacam-se:

1º Castelo de Cape Coast.

2º Castelo de Elmina.

3º Forte Amsterdam.

4º Forte Batenstein.

5º Forte de Christiansborg.

6º Forte de Santo António de Axim

7º Forte de São Sebastião de Shema

8º Forte de São Tiago (Fort Conraadsburg).

9º Forte Good Hope.

10º Forte Metal Crosse.-  

11º Forte Patience.

12º Forte Vrendenburg.


Castelo de São Jorge da Mina.


O Castelo de São Jorge da Mina, também designado por Castelo da Mina, Feitoria da Mina, e posteriormente por Fortaleza de São Jorge da Mina, Fortaleza da Mina, ou simplesmente 'Mina', localiza-se na atual cidade de Elmina, no Gana, no litoral da África Ocidental. Após a sua ocupação pelos Neerlandeses em 1637, o seu nome passou a figurar na cartografia apenas como Elmina. A feitoria portuguesa da Mina sucedeu, em importância militar e económica, à Feitoria de Arguim, de que se tem notícia já a funcionar em1461 quando a sua capitania-mor foi concedida. Se a ilha de Arguim assinalava o limite da África islamizada, a Mina teve a função inicial de assegurar a soberania e o comércio de Portugal no Golfo da Guiné, constituindo-se no seu principal estabelecimento na costa africana, fonte da riqueza que alimentou a economia do país até se iniciar o ciclo da Índia, após 1498. Posteriormente, com o incremento do tráfico Atlântico de escravos, a fortificação readquiriu importância como entreposto onde os cativos eram mantidos a aguardar o seu transporte para o Novo Mundo. Considerada a mais antiga fortificação europeia ao Sul do deserto do Saara. Ainda em vida do Infante D. Henrique (1394-1460), a exploração da costa africana principiou a render frutos. Nas décadas seguintes, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias, entrepostos comerciais fortificados, de modo a intensificar o comércio de produtos europeus por géneros como o ouro, especiarias e escravos, principalmente. Adicionalmente, estas estruturas proporcionavam segurança e apoio às atividades de navegação e descobrimentos na costa ocidental africana. A mais antiga de todas foi a feitoria da ilha de Arguim (o Castelo de Arguim), na altura do cabo Branco, fundada em 1448, sob as instruções do próprio Infante. A fortificação de Arguim serviu como modelo para as que se lhe seguiram na região, como o Castelo da Mina, ainda no século XV, e o de Axim (ou de Axém), no alvorecer do século seguinte.


Após a morte do Infante, o seu sobrinho, Afonso V de Portugal (1438-1481), arrendou a exploração da costa da Guiné, na forma de monopólio comercial, em 1469, por cinco anos (mais um ao fim do contrato). O primeiro arrematante foi um comerciante lisboeta, Fernão Gomes, que, além da renda, ficava obrigado à descoberta anual de 100 léguas da costa, a partir da serra Leoa. Foi durante a vigência desse contrato, que se alcançou a região da Mina. Por essa razão, aquele trecho do litoral passou a ser designado como Costa do Ouro nos mapas da época, despertando a cobiça internacional nomeadamente dos Reis Católicos, que só cessaram as pressões para se apossarem da região com o Tratado de Alcáçovas (1479), através do qual reconheciam a Portugal o domínio das descobertas a Sul das Canárias. Com a subida ao trono de João II de Portugal (1481-1495), este soberano determinou a construção de um novo entreposto, visando a proteger o comércio do ouro naquele litoral. Para esse fim, em fins de 12 de Dezembro de 1481, ou nos primeiros dias de 1482 (há divergência entre as fontes), uma expedição de onze navios partiu de Lisboa, sob o comando de Diogo de Azambuja, transportando uma tropa de 600 homens (apoiados por uma centena de pedreiros e carpinteiros) e material de construção como lastro nos navios - pedra lavrada e numerada, gesso e cal. A sua missão era erguer uma fortificação com funções de feitoria, o chamado Castelo de São Jorge da Mina, posteriormente denominado como Castelo Velho da Mina. Ao chegar, escolhida a baía para o desembarque, este ocorreu a 19 de Janeiro de 1482, iniciando-se de imediato os trabalhos de construção. Em vinte dias os trabalhos da fortificação estavam bem encaminhados, estando erguidas as paredes da torre, uma cerca e algumas casas. Dadas como concluídas pouco depois, ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se um núcleo urbano geminado informalmente denominado como 'Duas Partes', uma habitada por europeus, outra por nativos. A povoação de São Jorge da Mina recebeu Carta de Foral em 1486. Ali eram trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas ('zimbo') por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI.


Concluída a fortificação, estabelecidos os contactos amigáveis com as populações locais e iniciadas as trocas comerciais, Azambuja determinou o retorno da armada a Lisboa, com a notícia do completo sucesso da missão. Ele próprio permaneceu como capitão da fortaleza, com 60 soldados, cargo que exerceu até 1484, quando ele próprio retornou a Lisboa. Entre os seus comandados na ocasião, encontrava-se o marinheiro genovês Cristóvão Colombo. Posteriormente o comando foi ocupado por elementos ilustres no reino, nomeados por períodos de três anos. Estes oficiais tinham vastos poderes outorgados pela Coroa, ainda que sujeitos a um rígido regimento, de forma a coibir o contrabando do ouro ou a prática de outras atividades ilícitas. A sua autoridade estendia-se a outros entrepostos fundados posteriormente naquela costa, como os de Axim (Axém), Osu, Shema (Shamá), Waddan, Cantor e Benim.


Ao longo do século XVI, ataques de corsários franceses às embarcações portuguesas no regresso da Índia, da Mina e do Brasil tornaram-se frequentes. O mesmo se registou com relação à Inglaterra, com quem foi assinado um tratado em 1570. No contexto da Dinastia Filipina, devido ao conflito existente entre a Coroa de Espanha e os Países Baixos, que lutavam pela sua emancipação política, estes últimos passaram a atacar as possessões portuguesas por meio da acção da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais. Por esse instrumento, na primeira metade do século XVII foi conquistada a costa da região Nordeste do Brasil e, em 29 de Agosto de 1637, a Fortaleza de São Jorge da Mina, na costa africana, após cinco dias de resistência. Na ocasião, o efectivo português na Mina era de cerca de quarenta homens, doentes e mal-armados. As tropas neerlandesas encontravam-se sob o comando do coronel Van Koin.


Os neerlandeses fizeram, de São Jorge da Mina, a capital da Costa do Ouro Holandesa, e, rebaptizando o forte como 'Fort de Ver', 'Fort Java', 'Fort Scomarus' e 'Fort Naglas', procederam-lhe obras de reforço e de ampliação. A partir de então, a Mina tornou-se um centro fornecedor de mão de obra escrava para o continente americano. Outros fortes portugueses na região foram também conquistados em 1642, com a mesma finalidade. Em 1873, o forte foi conquistado pelos britânicos. Porto de escala das embarcações da Carreira da Índia na costa ocidental africana, as iconografias do castelo, em mapas do século XVI (como o Planisfério de Cantino, 1502), mostram uma sólida estrutura acastelada dominada por uma torre de menagem de planta circular, tendo os muros reforçados por torreões, também no formato circular, semelhantes a outros erguidos em estilo manuelino em Portugal à época. Na segunda metade desse século, os panos de muralhas envolveram o núcleo urbano habitado por comerciantes, funcionários e colonos portugueses. Uma planta levantada sob o reinado de João III de Portugal (1521-1557) por João Leal ou Marcos Gomes em 1556, mostra uma cerca defensiva avançada com dois baluartes sobre o mar. Um outro desenho, bastante esquemático e irregular, sugerindo tratar-se de um levantamento ou mostra enviada à Corte a fim de servir de base a melhoramentos, talvez tenha sido preparado pelo "mestre-de-obras da Fortaleza da Mina" Lopo Machado (1563-1578), que trabalhara anteriormente nas obras de fortificação da Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Da época da conquista neerlandesa, existe iconografia da Mina, com as fortificações acrescidas, de autoria de Caspar Barlaeus e de Frans Post.


Capitães da Mina
Lista do Capitães do Castelo de São Jorge da Mina:

1º - Dom Diogo de Azambuja
(1482-1484)

2º - Dom João de Escobar

3º - Dom Lopo Soares de Albergaria
(1495-1499)

4º - Capitão João Rodrigues Coutinho

5º - Dom João Vaz de Almada

6º - Dom Manuel de Albuquerque

7º - Dom Lopo de Sousa Coutinho

8º - Dom D. Manuel da Silveira

9º - Dom Diogo Lopes de Sequeira
(1504-1505)

10º - Dom Duarte Pacheco Pereira
(1519-1522)

11º - Dom João de Barros
(nomeado em 1521, assume o cargo em 1522-1524)

12º - Dom Estêvão da Gama
(1529-1535)

1º - Dom Diogo de Azambuja

Diogo de Azambuja (Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho, 1432-1518) foi um fidalgo português. Filho de Jorge de Azambuja (filho natural de Lourenço Esteves de Azambuja) e de sua mulher … de Abreu. Tornou-se Cavaleiro da Ordem de Avis e entrou ao serviço do Infante D. Pedro, filho do Regente com o mesmo nome, como Guarda-Roupa da sua Casa. Na sequência da Batalha de Alfarrobeira acompanhou o seu senhor no exílio. Em 1458 já se encontrava ao lado de Afonso V de Portugal na conquista de Alcácer-Ceguer em Marrocos. Recebeu várias Comendas e tornou-se Conselheiro do Rei. Conquistou a vila de Alegrete aos castelhanos, que tinha sido ocupada durante a guerra de sucessão ao trono daquele reino, tendo sido ferido em combate numa perna. Em 1481 foi nomeado por João II de Portugal como capitão-mor da armada encarregada da construção da fortaleza de São Jorge da Mina. Esta era composta por nove caravelas e duas naus, transportando 600 soldados, 100 pedreiros e carpinteiros, e mais pedra aparelhada necessária à construção daquela fortaleza-feitoria no golfo da Guiné. Este será o feito mais conhecido da sua carreira, tendo exercido o cargo de capitão-mor da fortaleza de 1482 até 1484, data em que regressou a Lisboa. Nesse mesmo ano, o monarca teve conhecimento duma conjura de D. Diogo, Duque de Viseu, que havia sido feito chefe dos descontentes quando subiu ao trono por causa da política centralizadora do monarca, preparada para assassinar o rei e o príncipe herdeiro, o que lhe permitiria depois subir ao trono. Mas, atraindo o cunhado a Palmela, o rei o apunhalou por suas próprias mãos ou, segundo os relatos escritos, por Diogo de Azambuja com o auxílio de D. Pedro de Eça, Alcaide-Mor de Moura, e de Lopo Mendes do Rio. Foi recompensado pelo soberano com o cargo de Alcaide-Mor do Castelo de Monsaraz, para além de outras recompensas como a nomeação para o Conselho Real e uma Carta de Armas de Mercê Nova para o seu Apelido; esquartelado, o primeiro e o quarto de vermelho, com um castelo de ouro, aberto, iluminado e lavrado de azul, o segundo e o terceiro de ouro, com quatro bandas (…) de vermelho, timbre, o castelo do escudo.

De Leonor Botelho teve um filho e duas filhas:

António de Azambuja, Comendador da Ordem de Cristo, casado com Maria de Castro, com geração.

Cecília de Azambuja, casada com Fernão de Miranda Henriques, com geração feminina.

Catarina de Azambuja, casada com D. Martim Afonso da Silveira, Alcaide-Mor de Terena, com geração feminina.

Diogo de Azambuja manteve-se ligado à Corte e ao serviço do rei, embora a sua idade e a deficiência física na perna aconselhassem o seu afastamento. Ainda assim, foi com mais de setenta anos de idade que aceitou a missão de que Manuel I de Portugal o incumbiu em 1506, a de construir a fortaleza de Mogador na região sul de Marrocos, para amparo à fixação portuguesa. Azambuja não apenas cumpriu a missão com êxito, como tomou a própria cidade de Safim, permanecendo como capitão da cidade até 1509, com a idade de cerca de 77 anos. Nesta data regressou a Portugal, vindo a falecer em 1518, sendo sepultado em túmulo no claustro da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, em Montemor-o-Velho.

3º - Dom Lopo Soares de Albergaria


Lopo Soares de Albergaria (Lisboa, c. 1442-Torres Vedras, c. 1520) ou Lopo Soares de Alvarenga, como mais usualmente é apelidado, foi um influente aristocrata e militar, capitão-mor e governador da Fortaleza de São Jorge da Mina, depois nomeado por D. Manuel I, em 1515, como o 3.º governador da Índia, sucedendo no cargo a Afonso de Albuquerque. Em novo, a 18 de Janeiro de 1469, igualmente, usou o nome Lopo Soares de Melo e com este, sendo na altura moço fidalgo da Casa Real, teve uma tença anual de D. Afonso V para mantimento de seus estudos. A 22 de Abril de 1504, Lopo Soares capitaneou a Armada que partiu para a Índia e derrotou os muçulmanos, defendendo-se dos ataques do rei de Calecut. Regressou a Portugal logo no ano seguinte, em 1505, nos começos do Verão, acompanhado pelo heróico Duarte Pacheco Pereira. Ruma novamente para a Índia, depois de ter sido nomeado governador desse território, sucedendo a Afonso de Albuquerque em 1515. Em 1519 voltou a Portugal, substituído do cargo por Diogo Lopes de Sequeira. Há que diga que aí, durante esses quatro anos não conseguiu dar continuidade ao trabalho de Afonso 'o Terribil', tendo tido vários insucessos militares que em geral desagradou, não só aos réis indianos, mas também aos portugueses e derrotou os muçulmanos. Isso devido à sua expedição ao Mar Vermelho de 1517, em busca de turcos, que se diz que resultou em fracasso. Na verdade, apenas decidiu não avançar sobre terra e suspender o ataque ao porto de Jedá, face ao risco de um bombardeamento com êxito por parte da artilharia turca. O que, por alguns, foi considerado bom senso do chefe militar português, e por muitos, pura cobardia. Recuo que se juntaria a um outro, iniciado dois anos antes, com a derrota, bem real, em Mamora, no litoral marroquino, onde morreram 4.000 portugueses. E esquece-se que enquanto estava nas mesmas funções, na governação da Índia, em 1518, venceu a armada do Egipto e incendiou Zeila, na costa etíope assim como fundou a fortaleza de Colombo, na Ceilão ou Taprobana (actual Sri Lanka), sendo esta identificada como o factor mais significativo da sua governação. Outra estranheza é ter sido dado ouvidos a uma difamação contra ele pois reza a história que D. Lopo era um homem honesto e esta vinha principalmente por parte de um Vigário Geral de Cochim que mais tarde foi acusado: de crimes de peculato, de 'mulherengo' e acabou por desaparecer da arena política/religiosa da Índia. Viveu por algum tempo no Solar de Refojos, em Vale de Cambra, no lugar da Portela de Vila Chã, mas, quando regressou foi antes para a sua quinta, em Torres Vedras. O rei D. Manuel I ainda intima-o a apresentar-se no Paço, em Lisboa, para prestar contas (financeiras) de acontecimentos havidos no Oriente. Mas o fidalgo recusou responder às injunções do rei. D. Manuel insiste e intima-o a apresentar-se de imediato, (...) Lopo Soares de Albergaria responde-lhe, pedindo que o dispensasse de tal mercê e "pois se era por questão de demandas com Fernão de Alcáçova (Vedor da Fazenda da Índia) não se queria defender delas e se dava por condenado, para o que respondia sua fazenda; se mesmo fosse necessário o ser executado, em Torres Vedras havia picota para toda a execução e ele cá estava de pé quedo; e se sua Alteza o chamava para lhe fazer mercê e bem contente estava com o que tinha, porque Deus o trouxera para junto de suas filhas." El-Rei acabou por dispensar de insistir na sua demanda. Tinha como sua propriedade uma capela na Igreja da Graça, em Lisboa, onde se encontrava sepultada sua mulher. Era sob a invocação de São Fulgêncio, onde está o actual baptistério, e tinha sido mandada edificar para si e seus herdeiros que a cederam depois. Os seus pais tinham antes dele lá uma outra ou mais provavelmente era uma extensão da mesma pois ela seguiu essa instrução e a sua família, pela mão de sua filha D. Catarina e única a ter descendência, continuou a usar esse espaço, pelo menos até 1884, para túmulo. Lopo Soares de Albergaria 1.º senhor de Pombalinho (que comprou ao Conde de Penela). Nascido cerca 1442, em Lisboa e falecido depois de 1520, em Torres Vedras. Filho de D. Rui Gomes de Alvarenga, conde palatino, chanceler-mor do reino, presidente da Casa da Suplicação, fidalgo do Conselho, doutor em Leis, embaixador a Castela e de D. Mécia de Melo ou D. Milícia de Melo Soares, filha de Estêvão Soares de Melo, senhor da honra de Melo, e de D Tereza de Andrade, filha de Rui Nunes Freire de Andrade, senhor de Algés. Casamento com D. Ana de Albuquerque, filha de Nuno da Cunha 'o Velho' e de D. Catarina de Albuquerque. Tiveram os seguintes filhos:

D. Guiomar de Albuquerque casada com D. Afonso de Menezes e Vasconcelos, senhor de Mafra. Sem descendência.

D. Catarina de Albuquerque, 2ª senhora de Pombalinho (herdeira), casada em 1490 com D. Fernando de Almada. Com descendência.

4º -  Dom João Rodrigues Coutinho


João Rodrigues Coutinho foi um administrador português que exerceu o cargo de Capitão-General na Capitania-Geral do Reino de Angola, entre 1602 e 1603. Foi antecedido no cargo por João Furtado de Mendonça e foi sucedido pelo Manuel Cerveira Pereira, durante o primeiro mandato deste.

9º - Dom Diogo Lopes de Sequeira


Dom Diogo Lopes de Sequeira (Alandroal, 1465-Alandroal, 1530), foi um fidalgo Português que aportou pela primeira vez em Malaca em 1509, antes da conquista em 1511 por Afonso de Albuquerque. Foi governador da Índia de 1518 a 1522. Ao serviço de D. Manuel I, foi enviado para fazer o reconhecimento da costa de Madagáscar (então nomeada Ilha de São Lourenço) e respectivas potencialidades comerciais, aportando depois na Índia. Durante esta viagem, que se prolongou por vários anos, chegou a Samatra e Pacém, onde ergueu padrões com as armas portuguesas. Em outras viagens passou por Ceuta, Arzila, Alcácer Ceguer, Diu e Goa, reparando fortalezas em diversas paragens. Em 1509, pouco antes de Afonso de Albuquerque assumir o cargo de governador da Índia, Lopes de Sequeira comandou a primeira frota portuguesa a chegar a Malaca. Obtendo a autorização do sultão local, aportou com cinco navios para comerciar levando credenciais e presentes. Inicialmente foi bem recebido, desembarcou homens e mercadorias, no entanto não conseguiu um acordo para estabelecer uma feitoria, pois os gujarates, os mercadores muçulmanos locais, opuseram-se com o apoio do bendahara. Visto como uma intrusão no comércio entre o estreito de Malaca e as ilhas indonésias, foi planeada uma tentativa de destruir a expedição. Diogo Lopes de Sequeira abandonou rapidamente a costa com três dos navios, deixando para trás dois navios incendiados, várias baixas e dezanove prisioneiros. Afonso de Albuquerque, instado a libertar os portugueses, conquistaria Malaca em 1511. Diogo Lopes de Sequeira foi nomeado governador da Índia de 1518 a 1522, cargo que terá desempenhado de forma contestável, enriquecendo abusivamente. Em 1524, já sob D. João III, participou da Conferência de Elvas e Badajoz onde Portugal disputaria as Molucas com Castela, nos acordos de demarcação a Este do da linha do Tratado de Tordesilhas, onde, mercê da relação difícil com o rei, terá assumido uma posição favorável aos últimos.

10º - Dom Duarte Pacheco Pereira



Duarte Pacheco Pereira, o 'Grande' (Lisboa, 1460-1533) foi um navegador, militar e cosmógrafo português. Filho de João Pacheco e de sua mulher Isabel Pereira, cavaleiro dos mais notáveis da história da Índia Portuguesa, nasceu em Lisboa em 1460. Um dos seus antepassados por varonia e por bastardia foi seu trisavô Dom Diogo Lopes Pacheco, 8.º Senhor de Ferreira de Aves, um dos executores de Inês de Castro, casado com Dona Joana Vasques Pereira. Tendo fugido para a Espanha, retornou à época da Crise de 1383-1385, apoiando o Mestre de Avis, com quem conseguiu recuperar todos os seus bens, tornando-se um dos conselheiros do novo monarca. Em 1455 encontra-se Duarte Pacheco letrado, recebendo uma bolsa de estudos do monarca. Cavaleiro da casa de D. João II (1481-1495), contrariamente à tradição é pouco provável que tenha ido em 1482 a São Jorge da Mina, onde Diogo de Azambuja iniciava a construção do Feitoria de São Jorge da Mina. De acordo com a obra Décadas da Ásia, do cronista João de Barros, na viagem de retorno do cabo da Boa Esperança, em 1488, Bartolomeu Dias encontrou-o gravemente doente na ilha do Príncipe e levou-o para Portugal. Reconhecido geógrafo e cosmógrafo, em 1490 viveu em Lisboa da pensão real a que o seu título lhe dava direito. Em 7 de Junho de 1494 assinou, na 'Qualidade de Contínuo da Casa do Senhor Rei de Portugal', o Tratado de Tordesilhas.



Em 1498 D. Manuel I encarregou-o de uma expedição secreta, organizada com o objectivo de reconhecer as zonas situadas para além da linha de demarcação de Tordesilhas, expedição que, partindo do Arquipélago de Cabo Verde, se acredita que teria culminado com o descobrimento do Brasil, em algum ponto da costa entre o Maranhão e o Pará, entre os meses de Novembro e Dezembro deste mesmo ano. Dali, teria acompanhado a costa Norte, alcançando a foz do rio Amazonas e a ilha do Marajó. Em relação ao descobrimento do Brasil ou da eventual exploração das Antilhas e parte da América do Norte, tendo em conta as revelações cartográficas contidas no Planisfério de Cantino, o autor apresenta informações no segundo capítulo da primeira parte.

Resumidamente, o texto relata;

"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossos, Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras, muitas cousas de que os navios nestes Reinos vêm grandemente povoados."

É este referido 'Esmeraldo de situ orbis', assim, o primeiro roteiro de navegação português a mencionar a costa do Brasil e a abundância de pau-brasil (Caesalpinia echinata), nele existente. Simplesmente não percebeu onde estava, segundo o professor Francisco Contente Domingues, por ter uma imagem errada do mundo, ainda uma concepção ptolemaica, no qual todos os oceanos eram rodeados por terra. No Atlântico Sul, entre as ilhas oceânicas, apresenta, com suas 'ladezas' (latitudes) conhecidas à época:

A ilha de Sam Lourenço
(ilha de Fernando de Noronha).

A ilha d'Acensão
(ilha da Trindade).

A ilha de S. Cara
(ilha de Santana, ao largo de Macaé).

O cabo Frio

Em 1503 comandou a Nau Espírito Santo, integrante da esquadra de Afonso de Albuquerque à Índia. Ali guarneceu a Fortaleza de Cochim com 150 homens e alguns indianos onde sustentou vitorioso o cerco do Samorim de Calecute que dispunha de 60.000 homens. Tendo exercido os cargos de Capitão-General da Armada de Calecute e de Vice-Rei e Governador do Malabar na Índia, pelos seus feitos teve Armas Novas por Carta de 2 de Agosto de 1504, dadas pelo Rei de Cochim, tais Armas são; de vermelho, com cinco coroas de oito florões de ouro, postas em sautor, bordadura de prata, aguada de azul, carregada de oito castelos de madeira de verde, cada castelo armado sobre dois navios rasos de sua cor, o escudo cercado de sete estandartes Mouriscos, quatro à direita, de vermelho, de prata, de vermelho e de azul, e três à esquerda, de prata, de vermelho e de azul; timbre, um castelo do escudo, rematado por um estandarte Mourisco, de vermelho. E retornou a Lisboa em 1505, quando foi recebido em grande triunfo. Em Lisboa e em todo o lado os seus feitos da Índia foram divulgados e um relato dos mesmos foi enviado ao Papa e a outros reis da cristandade. Foi como uma espécie de herói internacional que, nesse ano iniciou a redacção do Esmeraldo de ‘situ orbis’, obra que ele interrompeu nos primeiros meses de 1508. Nesse ano foi encarregado pelo soberano de dar caça ao corsário francês Mondragon que actuava entre os Açores e a costa portuguesa, onde atacava as naus vindas da Índia. Duarte Pacheco localiza-o, em 1509, ao largo do cabo Finisterra, onde o derrotou e capturou. 
Em 1511 comandou uma frota enviada em socorro a Tânger, sob cerco das forças do Rei de Fez. Desposou no ano seguinte Antónia de Albuquerque, filha de Jorge Garcês e de sua mulher Isabel de Albuquerque Galvão, única filha de Duarte Galvão e de sua primeira mulher Catarina de Sousa e Albuquerque, que recebe do Rei um dote de 120.000 reais, que lhe será entregue em fracções, até 1515. Tiveram cinco filhos e duas filhas. Em 1519 foi nomeado capitão e governador de São Jorge da Mina, onde serviu até 1522. Veio sob prisão para Portugal por ordem de D. João III pela acusação de contrabando de ouro, embora actualmente ainda não se conheçam os reais motivos de tal decisão do monarca. Quando libertado por ordem do Rei, recebeu 300 cruzados a título de parte de pagamento por jóias que tinha trazido de São Jorge da Mina e havia confiado à Casa da Mina para serem fundidas. Faleceu nos primeiros meses de 1533 e, pouco depois, o monarca concedeu a seu filho, João Fernandes Pacheco, uma pensão anual de 20.000 reais. Como as pensões reais frequentemente eram pagas com atraso, mãe e filho passaram dificuldades, o que os levou a recorrer a um empréstimo. A lenda de Duarte Pacheco Pereira desenvolveu-se após a sua morte. Luís de Camões, n'Os Lusíadas chama-lhe 'fortíssimo e Grão Pacheco Aquiles Lusitano'. Mais tarde, no século XVII, Jacinto Cordeiro consagrou-lhe duas comédias bastante longas em castelhano e, Vicente Cerqueira Doce, um poema em dez cantos, de que se perdeu o rasto. De acordo com um de seus mais importantes biógrafos, o historiador português Joaquim Barradas de Carvalho, que viveu exilado no Brasil na década de 1960, Duarte Pacheco foi um génio comparável a Leonardo da Vinci. Com a antecipação de mais de dois séculos, o cosmógrafo foi o responsável pelo cálculo do valor do grau de meridiano com uma margem de erro de apenas 4%.


1460(?) − Nascimento

1480(?)−1490(?) − Encontra-se envolvido na exploração do litoral ocidental africano

1488 − Doente na Ilha de São Tomé, é trazido para o reino por Bartolomeu Dias

1490 − Entre Janeiro e Outubro faz parte da guarda pessoal del-Rei

1494 − Integra a delegação portuguesa que negocia e assina o Tratado de Tordesilhas a 7 de Julho desse ano

1495−1499 − Missão no Castelo de São Jorge da Mina

1498 − Viagem ao Atlântico Sul

1503 (6 de Abril) − parte para a Índia na armada de Afonso de Albuquerque

1504 − Defende heroicamente Cochim contra a investida da vizinha Calecute

1505 − Regressa a Lisboa, sendo recebido em festa nas ruas da cidade

1506 − Possível redacção do "Esmeraldo de Situ Orbis"

1509 (18 de Janeiro) − trava batalha naval no Cabo Finisterra contra o corsário Mondragon

1510 − Entre Setembro e Novembro serve na Armada do Estreito

1513(?) − Casa com D. Antónia, neta de Duarte Galvão, secretário de D. João II

1519−1522 − Governador da feitoria e fortaleza de São Jorge da Mina

1522 − É trazido a ferros para Lisboa e encarcerado

1529 − Recebe da Coroa 300 cruzados de jóias

1533(?) − Falecimento

11º - Dom João de Barros


João de Barros, chamado o Grande ou o 'Tito Lívio Português', (Viseu, c. 1496-Pombal, Ribeira de Alitém, 20 de Outubro de1570) é geralmente considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática da língua portuguesa, tendo escrito a segunda obra a normalizar a língua, tal como falada em seu tempo. Filho bastardo de um nobre, Lopo de Barros, Corregedor de Entre Tejo e Guadiana, foi educado na corte de Dom Manuel I, no período de maior apogeu dos descobrimentos portugueses, tendo ainda na sua juventude concebido a ideia de escrever uma história dos portugueses no oriente. Sua prolífica carreira literária iniciou-se com pouco mais de vinte anos, ao escrever um romance de cavalaria, a Crónica do Emperador Clarimundo, donde os Reys de Portugal descendem, dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro Dom João. Este último, ao subir ao trono como Dom João III em 1521, concedeu a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina, para onde partiu no ano seguinte. Em 1525 foi nomeado tesoureiro da Casa da Índia, missão que desempenhou até 1528. A peste negra de 1530 levou-o a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, vila onde concluiu o seu diálogo moral, ‘Rhopicapneuma’, alegoria que mereceu louvores do catalão Juan Luis Vives. Regressado a Lisboa em 1532, o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina (uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um empório, a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente). João de Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo (quando os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas).


Casou com Maria de Almeida, 3.ª Senhora da Quinta de S㺠- Lourenço, em Santiago de Litém, Pombal, filha de Diogo de Almeida, nascido c. 1479, Escrivão do Armazém de Lisboa e 2.º Senhor da Quinta de São Lourenço, em Santiago de Litém, Pombal, e sua Capela na Igreja Matriz, e de sua mulher Catarina Coelho, irmã de Lourenço de Cáceres, a quem foi encomendada a História da Índia, incumbência em que sucedeu seu sobrinho por afinidade João de Barros. Dela teve cinco filhos e três filhas. Em 1534 Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de penetração francesa, dividiu a colónia em capitanias hereditárias, seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, com resultados comprovados. No ano seguinte João de Barros foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com Aires da Cunha, o Ceará e o Pará. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o Novo Mundo em 1539.


Devido talvez à ignorância dos seus pilotos, a frota não atingiu o objectivo pretendido, tendo andado à deriva até aportar às Antilhas espanholas. Demonstrando um grande humanismo, talvez incomum para a época, pagou as dívidas dos que haviam falecido na expedição. No entanto isto resultou em grandes problemas financeiros a João de Barros, com os quais teve que lidar até ao fim da vida, vendo-se mesmo obrigado a hipotecar parte dos seus bens. Durante estes anos prosseguiu seus estudos durante as horas vagas, e pouco após a desastrosa expedição ao Brasil, em 1540 publicou a ‘Gramática da Língua Portuguesa’ e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua materna. A Gramática foi a segunda obra a normalizar a língua portuguesa, tal como falada em seu tempo (precedida apenas pela de Fernão de Oliveira, impressa em 1536) sendo entretanto considerada a primeira obra didáctica ilustrada no mundo. Pouco depois (seguindo uma proposta que lhe havia sido ainda endereçada por Dom Manuel I), iniciou a escrita de uma história que narrasse os feitos dos portugueses na Índia [as Décadas da Ásia (“Ásia de Ioam de Barros, dos feitos que os Portuguezes fizeram na conquista e descobrimento dos mares e terras do Oriente”)], assim chamadas por, à semelhança da história liviana, agruparem os acontecimentos por livro em períodos de dez anos. A primeira década saiu em 1552, a segunda em 1553 e a terceira foi impressa em 1563. A quarta década, inacabada, foi completada por João Baptista Lavanha e publicada em Madrid em 1615, muito depois da sua morte. Não obstante o seu estilo fluente e rico, as 'Décadas' conheceram pouco interesse durante a sua vida. É conhecida apenas uma tradução italiana em Veneza, em 1563. Dom João III, entusiasmado com o seu conteúdo, pediu-lhe que redigisse uma crónica relativa aos acontecimentos do reinado de Dom Manuel (o que João de Barros não pode realizar, devido às suas tarefas na Casa da Índia, tendo a crónica em causa sido redigida por outro grande humanista português, Damião de Góis). Diogo do Couto foi encarregado mais tarde de continuar as suas 'Décadas', adicionando-lhe mais nove. A primeira edição completa das 14 décadas surgiu em Lisboa, já no século XVIII (1778-1788). Em Janeiro de 1568 sofreu um acidente vascular cerebral e foi exonerado das suas funções na Casa da Índia, recebendo título de fidalguia e uma tença régia do rei Dom Sebastião. Faleceu na sua quinta de Alitém, em Pombal, a 20 de Outubro de 1570. Morreu na mais completa miséria, sendo tantas as suas dívidas que os filhos renunciaram ao seu testamento. Enquanto historiador e linguista, João de Barros merece a fama que começou a correr logo após a sua morte. As suas 'Décadas' são não só um precioso manancial de informações sobre a história dos portugueses na Ásia e são como que o início da historiografia moderna em Portugal e no Mundo.

12º - Dom Estêvão da Gama
(1505-1576)


Estêvão da Gama (c. 1505-1576), foi um militar e administrador português, tendo exercido o cargo de governador da Índia Portuguesa. Filho de Vasco da Gama e de Dona Catarina de Ataíde, nasceu em data incerta, presumivelmente em 1505. Foi com o pai para a Índia onde desempenhou o cargo de capitão-mor. Substituiu Paulo da Gama, seu irmão, como capitão de Malaca, em 1538, tendo desde 1534 servido sob suas ordens. Em 1540 foi designado pelo rei governador da Índia (1540-1542), pois tinha provado o seu valor no cargo anterior, afugentando os inimigos de Portugal na região. Não deixou de fazer o mesmo quando se tornou governador, tendo efectuado uma campanha em 1541 contra a frota do paxá do Egipto. Pelo caminho atendeu o pedido de socorro da Etiópia contra os invasores Otomanos enviando quinhentos homens comandados pelo seu irmão Cristóvão da Gama. Depois de deixar o cargo, voltou para Portugal onde foi indicado para Governador de Lisboa, tendo declinado o convite para ser novamente governador da Índia.

Forte de Christiansborg

O Castelo de Osu ou Forte de Christiansborg, também denominado como Castelo de Christiansborg, localiza-se na região de Greater Accra, no actual Gana, no litoral da África Ocidental. Estrategicamente localizado na Costa do Ouro, na África Ocidental, foi ocupado por dinamarqueses de 1671 a 1682.

Forte de Santo António de Axim


Foi erguida por forças portuguesas com a função de feitoria naquele trecho da Costa do Ouro Portuguesa. As informações a seu respeito são escassas, havendo registros de 1503 e, posteriormente, de 1515 a 1642, quando a região foi cedida aos neerlandeses, tornando-se parte da Costa do Ouro Holandesa. O 'Forte de Santo António de Axim', também referido como 'Forte de Axém' e 'Fort St. Anthony', localiza-se na cidade de Axim, na região Ocidental, no litoral do Gana. Foi uma das diversas fortificações erguidas pelos europeus na chamada 'Costa do Ouro', inicialmente para o comércio de ouro e madeiras e, posteriormente, para o tráfico de escravos para as Américas. Em agosto de 1503 forças portuguesas ergueram uma pequena feitoria fortificada, a oeste do atual cabo ‘Three Points’, com a função de comércio de ouro, marfim e escravos, sob a invocação de Santo António. Mais tarde, em 1515, essa defesa foi reforçada com a construção de baluartes e melhorada a sua artilharia. A sua guarnição era composta por uma a duas dezenas de soldados portugueses e, caso necessário, contava com o apoio de cerca de 150 guerreiros nativos.


Após a conquista da Fortaleza de São Jorge da Mina pelas forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) (1637), a guarnição portuguesa em Axim foi aumentada. Atacado a seu turno pelas forças da WIC em 1641, conseguiu resistir com sucesso. Capitulou ante um segundo assalto, em Fevereiro de 1642. No mesmo ano, a região foi cedida aos Neerlandeses. Neste forte teve lugar a assinatura do Tratado de Axim (1642). Os Neerlandeses ampliaram o forte consideravelmente. Em 1664, porém, encontrava-se em mãos da Grã-Bretanha. Reconquistado pelos Neerlandeses, foi por este conservado. Os Neerlandeses mantiveram o comércio triangular atlântico de escravos até 1814, quando aboliram o tráfico nos termos do Tratado Anglo-Neerlandês de 1814. Pelos termos dos Tratados Anglo-Neerlandeses de 1870-1871 a Costa do Ouro Neerlandesa foi formalmente cedida à Grã-Bretanha (6 de abril de 1872).

Forte de São Tiago
(Gana)

O Forte de 'São Tiago', actual 'Fort Conraadsburg', localiza-se no actual Gana, no litoral da África Ocidental. Erguido a partir de 1555 por forças portuguesas tinha a função de feitoria naquele trecho da Costa do Ouro Portuguesa. Em 1637, quando os neerlandeses ocuparam a Fortaleza de São Jorge da Mina (29 de Agosto), foi conquistado pelos neerlandeses, que o rebaptizaram como Fort Conraadsburg. O primitivo forte constituía-se em uma torre de planta quadrada, no estilo manuelino então em voga no ultramar português.

Forte de São Sebastião
(São Tomé)



O Forte de São Sebastião localiza-se no extremo sul da baía de Ana Chaves, na cidade e ilha de São Tomé, em São Tomé e Príncipe. Erguido por forças portuguesas em 1575, foi o primeiro edifício com carácter defensivo erguido em São Tomé, sendo posteriormente reconstruído e ampliado. O forte apresenta planta quadrangular com baluartes pentagonais nos vértices, em estilo Vauban. Possui duas faces voltadas para o mar, outra para a chamada 'praia da PM' e a última, pelo lado de terra, onde se rasga o Portão de Armas. Em torno de seu terrapleno, ao abrigo das muralhas, erguem-se as edificações de serviço. Diante do forte encontram-se as estátuas dos navegadores João de Santarém, Pêro Escobar e João de Paiva, cujos nomes se ligam ao descobrimento do arquipélago. Estas estátuas foram retiradas das praças e jardins de S. Tomé logo após a independência.

Fortaleza de São João Baptista de Ajudá


A Fortaleza de São João Baptista de Ajudá, também conhecida como Feitoria de Ajudá ou simplesmente Ajudá, localiza-se na cidade de Uidá, na costa ocidental africana, atual República de Benim. As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos africanos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomée a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé). Ao final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) determinou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador. Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufacturados europeus, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais itens fossem transportados em navios provenientes do Brasil. Em janeiro de 1722 o pirata Bartholomeu Roberts ('Black Bart') penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

Vice-rei

Vice-Rei foi o título, usado em algumas monarquias da Europa, para designar os governadores e representantes do rei numa província afastada ou num território ultramarino. Em Portugal, o título vice-Rei foi um título honorífico atribuído a alguns governadores da Índia portuguesa e do Brasil.

Vice-Reis da Índia


O título Vice-rei foi um título honorífico atribuído a alguns Governadores da Índia Portuguesa desde 1505. O primeiro Vice-rei da Índia foi D. Francisco de Almeida (1505-1509), nomeado por D. Manuel I de Portugal, que, assim, manifestou o real poder dos portugueses no Índico face à Espanha, que atribuíra a Cristóvão Colombo o título de "Almirante e Vice-rei das Índias", entre outros, após o equívoco na descoberta do novo mundo. Seguiu-se D. Vasco da Gama e o último foi o Infante D. Afonso Henriques (1896). Vice-rei de Portugal sob a Dinastia Filipina - Durante os sessenta anos de domínio castelhano em Portugal, o monarca espanhol fazia-se representar no Reino por meio de um Vice-rei (da mais alta fidalguia ou então mesmo relacionado com a casa real dos Habsburgos) ou então por um colégio de governadores.

Vice-Reis do Brasil


Entre 1640 e 1718, apenas três governadores-gerais do Brasil receberam o título de "vice-rei", por motivo de sua alta fidalguia: o marquês de Montalvão, o conde de Óbidos e o marquês de Angeja. Depois de 1720, com a nomeação de Vasco Fernandes César de Meneses, conde de Sabugosa, o título de "vice-rei" passou a ser permanente. Entretanto, não se conhece acto oficial algum elevando o Brasil à condição de vice-reino. Conforme Francisco Adolfo de Varnhagen: "O vice-rei ou capitão-general era o delegado imediato do soberano, para quem unicamente se podia apelar de suas resoluções. Recebia cortejo nos dias de gala, ficando à esquerda do dossel, com a câmara da cidade-capital à direita deste. Cada indivíduo, depois da vénia ao retracto do soberano, fazia outro à câmara e, depois, ao capitão-general. Presidia a Junta da Fazenda e, quando havia relação, era o governador dela; onde simples junta de justiça, era dela o presidente"

A Evolução Marítima na Carreira da Índia-Galões e Naus

Frol de la mar


A Frol de la Mar também referida como Flor de la Mar (em língua portuguesa 'Flor do Mar') foi uma nau (especificamente um galeão) portugues que participou em vários acontecimentos marcantes no oceano Índico até ao seu naufrágio em 1511 no estreito de Malaca. Na ocasião transportava Afonso de Albuquerque, de regresso da conquista de Malaca, com um imenso espólio e tesouros para Manuel I de Portugal, que se perderam, tornando-a um dos mais míticos e cobiçados tesouros perdidos da História. Uma réplica da embarcação abriga, em nossos dias, o Museu Marítimo de Malaca. A embarcação foi construída em Lisboa, em 1502. Com capacidade para 400 toneladas, era considerada uma das mais avançadas em sua época. Lançada ao mar nesse mesmo ano, zarpou para a Índia na Armada sob o comando de Estêvão da Gama, irmão de Vasco da Gama.


Em 25 de março de 1505 zarpou uma vez mais de Lisboa para a Índia na Armada de 16 naus e 6 caravelas para instalar o primeiro Vice-rei, Dom Francisco de Almeida. Nesse mesmo ano (1505), na viagem de retorno, sob o comando de João da Nova, sofreu um rombo no casco na altura do cabo da Boa Esperança, recolhendo-se à ilha de Moçambique para reparos. Aí foi encontrada pela Armada de Tristão da Cunha, que fez tudo para a salvar. Ainda sob o comando de João da Nova, retornou para a Índia com a Armada de Afonso de Albuquerque. Participou na conquista de Ormuz sob o comando de Afonso de Albuquerque (1507), foi o navio-almirante na batalha de Diu, travada pelo então vice-rei da Índia Dom Francisco de Almeida (1509), participou nas conquistas de Goa (1510) e de Malaca (1511), num notável exemplo de longevidade de uma nau do primeiro quartel do século XVI. Apesar de já então ser considerada pouco segura, serviu como unidade de apoio quando da conquista de Malaca. Dada a sua grande capacidade, Afonso de Albuquerque utilizou-a no regresso em finais de 1511 para transportar o vasto espólio da conquista daquela praça, o entreposto comercial mais rico e significativo de toda a Ásia. Malaca era efectivamente à época o maior centro comercial do Oriente e Afonso de Albuquerque desejava presentear a corte de Manuel I de Portugal com os seus tesouros. Na embarcação seguiam também presentes do Reino do Sião (atual Tailândia) para o rei de Portugal.


Tendo levantado ferro de Malaca em direcção a Goa, na noite de 20 de Novembro de 1511, durante uma violenta tempestade que pairou no estreito de Malaca, naufragou, fazendo numerosas vítimas, salvando-se Afonso de Albuquerque 'em ceroulas e jaqueta', com auxílio de uma jangada improvisada. O galeão jaz no fundo do mar. Até hoje a sua suposta localização é motivo de controvérsias, sendo que a Malásia disputa com a Indonésia os salvados do estreito. Robert Marx, um caçador de tesouros norte-americano terá despendido 20 milhões de dólares no projecto de trazer à superfície as riquezas deste naufrágio. De acordo com as suas declarações, este é "(...) o barco mais rico desaparecido alguma vez no mar; com a certeza que a bordo tinham sido carregados 200 cofres de pedras preciosas; diamantes pequenos com a dimensão de meia polegada e com o tamanho de um punho os maiores".

São João Baptista


O São João Baptista (mais conhecido pela alcunha de Botafogo) foi um galeão ao serviço da Marinha Portuguesa, durante o século XVI. Na sua época, era o mais poderoso navio de guerra do mundo. O Botafogo foi construído em Portugal, por volta de 1534, com um deslocamento de cerca de 1000 toneladas. O navio estava armado com 366 bocas-de-fogo de bronze, tendo, portanto, um tremendo de poder de fogo. Por essa razão tornou-se conhecido por Botafogo. Este navio foi usado quer no Atlântico quer no Mediterrâneo onde ficou famoso durante a conquista de Tuins. Nessa batalha, o Botafogo era comandado pelo Infante Dom Luís, irmão do Rei D. João III de Portugal e cunhado do Imperador Carlos V. Quando Carlos V solicitou apoio naval a Portugal, referiu especificamente o Botafogo. De acordo com os relatos da época, foi o esporão do Botafogo que conseguiu quebrar as correntes em La Goleta, que defendiam a entrada do porto, permitindo, então, à armada cristã que atingisse e conquistasse a cidade de Tunes


Um dos membros da tripulação do galeão, chamado João Pereira de Sousa (um nobre originário da cidade de Elvas) tornou-se famoso uma vez que era o responsável pela artilharia do navio pelo que, também ele, ganhou a alcunha de 'Botafogo', que incluiu o seu apelido em seu sobrenome, passando este nome aos seus descendentes. Mais tarde, quando se estabeleceu no Brasil, lutou contra os Franceses e contra os índios tupi. Como recompensa, a Coroa Portuguesa doou-lhe terras junto da baía de Guanabara, passando essa área a ser conhecida por Botafogo atendendo ao nome do detentor das terras.

Madre de Deus


A nau Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo, deslocando 1.600 toneladas (900 das quais em carga). Construída na Ribeira das Naus em Lisboa em 1589, para a Carreira da Índia, tinha 50 metros de comprimento e 14,5 metros de largura. Dispunha de 7 conveses e 32 canhões, entre outras armas, empregando uma tripulação de 600 a 700 homens. Em agosto de 1592, carregada de valiosíssimas mercadorias, de regresso a Lisboa na sua segunda viagem à Índia, foi atacada e capturada por uma frota inglesa de seis navios ao largo dos Açores. A Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História. Entre as riquezas transportadas pela nau Madre de Deus estavam baús cheios de pérolas e jóias preciosas, moedas de ouro e prata, âmbar, rolos de tecido da mais alta qualidade, tapeçaria, 425 toneladas de pimenta, 45 toneladas de cravo-da-índia, 35 toneladas de canela, 25 toneladas de cochonilha, 15 toneladas de ébano, 3 toneladas de noz-moscada e 2,5 toneladas de benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos). Havia ainda incenso, sedas, damasco, tecido de ouro, porcelana chinesa, presas de elefante entre outros artigos. Finalmente e talvez o maior tesouro que os ingleses adquiriram: um documento impresso em Macau em 1590, que continha informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão. Richard Hakluyt relatou que este documento foi encontrado fechado numa caixa de cedro, enrolado 100 vezes por um tecido fino de Calecute, tratado como a mais preciosa das jóias. Em 1592, em violação da Aliança Luso-Britânica de 1373, considerada sem efeito durante a Dinastia Filipinas em plena guerra entre Espanha e Inglaterra, uma frota naval inglesa composta por 6 navios esperava ao largo dos Açores para interceptar navios mercantes de Espanha que vinham das Américas com mercadorias várias, quando uma frota portuguesa vinda do sul se aproximou. Os ingleses forçaram o navio Santa Cruz a terra roubando todas as mercadorias que os portugueses não haviam conseguido salvar. Sob ameaça de tortura conseguiram também obter informação de que havia mais naus a caminho, vindas da Índia. Uma destas naus era a Madre de Deus, que voltava da sua segunda viagem à Índia e se dirigia para Lisboa carregada de mercadorias. Sensivelmente a meio do mês de Agosto desse ano, os corsários ingleses liderados pelo Comandante Sir John Burrough, tomaram a nau após um longo dia de batalha perto da ilha das Flores, na qual vários marinheiros portugueses perderam a vida. Quando os ingleses embarcaram, os conveses estavam cheios de sangue e os corpos dos marinheiros estavam espalhados um pouco por todo o navio, mas mais concentrados perto do leme. Burrough poupou a vida do Capitão Fernão de Mendonça Furtado e dos restantes feridos, enviando-os para a costa. Segundo o uso na época, quando um navio fosse capturado, procedia-se ao transbordo da carga e o navio apresado era incendiado e afundado. Contudo, os corsários ingleses ficaram tão impressionados com as dimensões da nau portuguesa que a rebocaram para Inglaterra. As enormes naus portuguesas da carreira da Índia, eram construídas de forma a terem boa navegabilidade e um grande espaço de carga, de forma a rentabilizar as viagens, tornaram-se presas cobiçadas pela pirataria emergente na época. A tripulação inglesa havia enchido os bolsos com o que podia, antes que o Comandante Burrough pudesse controlar a mercadoria. A nau atracou no porto de Dartmouth no dia 7 de Setembro, mais alta que todos os outros navios e todas as casas na vizinhança do porto. A nau portuguesa tinha o triplo do tamanho do maior navio inglês, com uma estrutura maciça embelezada e um porão enorme repleto de tesouros da Índia. Nunca se havia visto tal coisa em Inglaterra e gerou-se o pandemónio. A Madre de Deus atraiu para o porto toda a espécie de comerciantes, ladrões e curiosos de quilómetros de distância. As pessoas visitavam o castelo flutuante e procuravam marinheiros bêbedos nas lojas e tabernas circundantes, de quem pudessem tirar os tesouros roubados. A lei inglesa na altura ditava que uma percentagem do quinhão ia sempre para a coroa e quando a rainha Isabel I de Inglaterra foi informada do sucedido enviou Sir Walter Raleigh para reclamar o seu quinhão e punir os saqueadores. O valor estimado da carga equivalia a metade do tesouro inglês na altura. Quando Raleigh restaurou a ordem já só sobrava na nau cerca de um quarto das mercadorias inicialmente trazidas por Burrough. Este sopro de riquezas das Índias galvanizou o interesse inglês na região. Os ingleses a partir daqui passaram a vestir os funcionários que faziam as descargas das mercadorias dos navios com uniformes sem bolsos. A Aliança Luso-Britânica de 1373 selada pelo Tratado de Windsor assinado entre o Rei Eduardo III de Inglaterra e o Rei Fernando e a Rainha Leonor de Portugal estabelecia a “amizade perpétua, uniões [e] alianças” entre as duas nações marítimas. É o tratado activo mais antigo do mundo.

Santa Catarina


Santa Catarina foi uma carraca (nau) portuguesa capturada pela Companhia da Índia holandesa em Fevereiro de 1603 ao largo de Singapura. O saque deste navio mercante foi de tal maneira grande que a venda posterior arrecadou o dobro do capital da própria Companhia da Índia. Os holandeses que haviam descoberto as rotas em 1596 graças a 'Jan Huygen van Linschoten', tentavam apropriar-se de alguma da riqueza para eles, durante a união ibérica e Dinastia Filipina. Este período marcou o fim do monopólio português no oceano Índico. Na alvorada de 25 de Fevereiro de 1603, 3 navios holandeses sob o comando do Almirante Jakob Van Heemskerk avistaram a nau ancorada na costa leste de Singapura. Depois de algumas horas de combate, os holandeses dominaram a tripulação que abdicou assim das mercadorias e do navio, em troca das próprias vidas. A mercadoria era particularmente valiosa pois continha vários quilogramas de almíscar. Estava também repleto de mercadoria vinda da China e do Japão e navegava de Macau para Malaca. O navio foi oficialmente confiscado em Amesterdão a 4 de Setembro de 1604.


A tomada e saque do, Santa Catarina pelos holandeses gerou protestos internacionais, e até mesmo nos Países Baixos. O feito quebrava a política de Mare Clausum dos portugueses no oceano Índico. Para defender-se, os representantes da Companhia da Índia holandesa procuraram o jovem e renomado jurista Hugo Grotius. No ano seguinte, em 1604, Grotius formulou uma extensa defesa sobre os princípios de justiça natural. Num dos capítulos, denominado de Mare Liberum ('Sobre o Mar Livre'), Grotius defendia o princípio de que o mar era um território internacional e todas as nações livres de utilizá-lo para comércio. Ao advogar o 'Mare Liberum', deu uma sustentação ideológica para que os holandeses quebrassem vários monopólios comerciais, utilizando a sua formidável potência naval para estabelecer depois o seu próprio monopólio. As reacções não se fizeram esperar. A Inglaterra, em competição cerrada com os holandeses pelo domínio do comércio mundial, opôs-se a esta ideia e reclamou a soberania sobre as águas que rodeavam as ilhas Britânicas. Da controvérsia gerada pelo conflito entre estas duas visões, os estados marítimos acabariam por moderar as suas exigências de domínio marítimo, uma base sustentável foi encontrada em 1702, restringindo o domínio marítimo até à distância de um tiro de canhão a partir da costa. Este limite seria universalmente adoptado e estabelecido no limite das três milhas marítimas da costa.

Santiago


O Santiago foi um galeão português, que pertencia À Carreira da Índia. Em Abril de 1602, o galeão português foi capturado por dois navios holandeses ao largo da ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. Na altura da captura do galeão este, viajava para Portugal, vindo da Índia, e, na escala em Santa Helena, então era já habitual na  jornada Índia-Portugal, fora surpreendido pelos holandeses, que também voltavam da Ásia, mais precisamente do sultanato de Achém, em Samatra

Santíssimo Sacramento


O Santíssimo Sacramento (também conhecido apenas por 'Sacramento') foi um galeão português do século XVII. Naufragou tragicamente a 5 de maio de 1668 nos baixios do rio Vermelho, em Salvador, na capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Construído na cidade do Porto por Francisco Bento, em 1650 havia sido a capitânia da Armada que tinha defendido a costa portuguesa dos piratas da Barbária, quando esteve artilhado com 60 canhões e guarnecido por 824 marinheiros e soldados. Logo na viagem inaugural, desbaratou três navios corsários de Dunquerque, que o tentaram atacar. A embarcação zarpou do porto de Lisboa em Fevereiro de 1668, sob o comando do general Francisco Correia da Silva, na qualidade de capitânia da escolta de uma frota de 50 embarcações armadas pela Companhia Geral do Comércio do Brasil. Embora haja divergências entre os autores acerca do número de tripulantes, os números variam de 400 a 600, repartidos entre marinheiros e soldados (a maioria) e passageiros, predominando comerciantes e religiosos. A 5 de maio, após uma viagem sem incidentes, o 'Sacramento' chegou à vista do porto de Salvador, na Bahia, com mau tempo. Ventos Sul, de grande intensidade, impediam a entrada da frota na barra, levando a embarcação a colidir contra o banco de Santo António, submerso a cerca de cinco metros da superfície, por volta das sete horas da noite. Apesar dos insistentes pedidos de socorro, fazendo disparar todas as suas peças de artilharia, o galeão permaneceu por algumas horas à deriva, vindo a naufragar por volta das onze horas da noite. Assim que foi informado do acidente, o governador da Capitania da Bahia, Alexandre de Sousa Freire, remeteu todos os recursos e pessoas disponíveis na Ribeira, mas diante do mau tempo e da distância, os socorros só chegaram ao local do naufrágio na alvorada do dia seguinte:

"Acharam feita em pedaços a nau, e grande número de corpos, uns ainda vivos, vagando pelos mares, outros jazendo já mortos nas areias (...), e só salvaram as vidas algumas pessoas, às quais se pôs em salvo a sua fortuna e a diligência dos pescadores daquelas praias (...), e algumas poucas que sobre as tábuas piedosamente despedaçadas no seu remédio se puseram em terra."
      
Das centenas de tripulantes e passageiros, apenas se salvaram 70. O corpo do general Correia da Silva, juntamente com o de centenas de outros, acabou por dar à costa no dia seguinte.

Padre Eterno


O Padre Eterno foi um galeão português, construído no Brasil no século XVII. Foi considerado, à época, o maior navio do mundo, conforme trecho de notícia publicada, em Novembro de 1665, nas páginas do jornal Mercúrio Português, intitulada "O Padre Eterno, o maior navio do mundo, chega a Lisboa". No contexto da Restauração da Independência Portuguesa, diante dos ataques da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais às embarcações mercantes oriundas do Brasil, foi lançado o Regimento de 25 de março de 1643, instituindo o sistema de frotas comboiadas. Em 1645 foi implantado o sistema de frotas único para a colónia, a frota partia uma vez por ano, apoiada por uma poderosa escolta de vasos de guerra, retornando a Lisboa após percorrer os diversos portos do litoral brasileiro, com um número variável de setenta a noventa embarcações. Embarcações de particulares podiam se unir à frota, embora houvesse restrições quanto à participação de navios de determinado porte, o que afectava os armadores, pressionados ainda pelo elevado custo dos fretes. Entretanto, necessitando de recursos para o combate aos neerlandeses na Região Nordeste do Brasil e em Angola, a Coroa Portuguesa cedeu em suas exigências e permitiu a participação de embarcações de menor porte nas frotas. Diante da fragilidade do sistema, diante das perdas no mar, o padre Antônio Vieira recomendou, em 1647, a criação de uma companhia, semelhante à dos holandeses, para explorar o comércio com o Brasil. A ideia foi posta em prática, em 1649, com a criação da 'Companhia Geral do Comércio do Brasil', que detinha o monopólio da venda de vinhos, bacalhau, farinha de trigo e azeite na colónia. Em 1659 a Companhia perdeu o monopólio que impedia a fabricação e venda de aguardente, vindo a ser extinta em 1720. Após a retomada definitiva de Angola, por efectivos oriundos da Capitania do Rio de Janeiro, principal interessado na retomada do comércio de escravos africanos para a agro-manufatura açucareira, e diante da crise desse mercado, esboçada na segunda metade do século XVII, Salvador Correia de Sá e Benevides interessou-se em abrir mercado para um novo produto, abundante nas matas brasileiras: a madeira-de-lei. Desse modo, ao assumir o cargo de Governador e Capitão-geral da Capitania (1659-1660), fez instalar na Ilha do Governador um estaleiro, para a construção de uma embarcação com madeiras nativas. O local do estaleiro ficou conhecido como ponta do Galeão. Ali mandou reunir grandes toras de madeira, oriundas principalmente das matas da Ilha Grande, no litoral Sul da Capitania, fazendo vir da Europa os técnicos para orientar os carpinteiros indígenas. Quatro anos mais tarde, no Natal de 1663, foi lançado ao mar o galeão 'Padre Eterno'. O 'Padre Eterno' fez a sua viagem inaugural em 1665, aportando a Lisboa, onde despertou a atenção não só da Coroa e da população portuguesa, como também dos espiões estrangeiros baseados naquela capital. Este prodígio da construção naval portuguesa viria a naufragar nas águas do Oceano Índico, alguns anos mais tarde. Com 53 metros de comprimento, tinha capacidade para o transporte de duas mil toneladas de carga, e era dotado de duas cobertas, com capacidade para cento e quarenta e quatro peças de artilharia, armamento que superava o de muitas fortalezas coloniais à época. As madeiras e o seu projecto tornavam-no leve e resistente, além de fácil de ser manobrado. O seu mastro principal era feito de um único tronco, com quase três metros de circunferência na base.

Santo António de Taná

A fragata Santo António de Taná foi uma fragata portuguesa do século XVII que foi construída na Índia. Em Dezembro de 1680 a fragata iniciou a sua carreira como um dos poucos navios de linha a operar no oceano Índico. Sabe-se pela documentação que a fragata foi construída contendo 50 peças e artilharia, e julga-se que o casco do navio teria 39 ou 40 metros de comprimento, já a boca é estimada entre 9,65 e 11,30 metros. Segundo as fontes documentais terá operado durante 17 anos de carreira. Operou principalmente no oceano Índico com pelo menos uma viagem de ida e de volta até Lisboa. Em Novembro de 1696 a fragata exercia funções de nau-capitânia num esquadrão de socorro do oceano Índico. Comandada pelo capitão Domingues Pereira de Gusmão a esquadra tinha instruções para fornecer reforços e abastecimentos ao Forte São Jesus em Mombaça, no actual Quénia. No dia 20 de Outubro de 1697, ancorada junto ao forte, a fragata perdeu os cabos de amarração tendo ficado há deriva. Encalhada junto a uma bateria inimiga e sob fogo constante seguiu-se uma luta intensa entre os portugueses e omanitas pelo controle da fragata. Valeu-lhe uma sortida comandada pelo capitão José Pereira de Brito que tomou conta das palhiçadas imediatamente acima da bateria inimiga. Com a posição táctica que favorecia aos portugueses as tropas omanitas não tiveram alternativa se não a de se retirarem e permitir o salvamento da fragata. A fragata entretanto rebocada para junto da protecção da artilharia do forte, foi inspeccionada, na qual se constatou a existência de danos extensos à quilha e ao casco. Sob ordens do rei para não se perder nenhum dos navio de grande porte e completamente consciente do número reduzido de navios de guerra a operar na área, o General Sampaio de Melo foi relutante em ordenar o abandono da fragata. Seguiu-se um concelho de oficiais e homens bons para determinar o destino da mesma. Tomou-se a decisão de afundar o navio após o salvamento dos seus conteúdos. A quantidade de artefactos ainda depositados no naufrágio permite supor que essa operação não foi terminada antes do seu afundamento.

Nau Nossa Senhora da Conceição
(1707)


A Nossa Senhora da Conceição, foi uma nau de linha ao serviço da Marinha Portuguesa, entre 1707 e 1724. A nau foi construída na Ribeira das Naus em Lisboa e lançada ao mar em 1707. Estava armada com 80 peças de artilharia. O seu elevado poder bélico permitiu-lhe uma destacada acção no combate à pirataria. Em 1716 a Nossa Senhora da Conceição foi escolhida para nau-capitânia da esquadra, comandada pelo conde do Rio Grande, enviada por D. João V para o Mediterrâneo. A esquadra foi enviada, a pedido do Papa Clemente IX para ajudar a combater as forças navais turcas que cercavam a ilha de Corfu. Não chegou, no entanto, a entrar em combate pois as forças turcas retiraram antes da sua chegada. Perante o recrudescer da ameaça naval turca aos estados cristãos do Mediterrâneo, em 1717, Portugal envia uma nova esquadra, composta por sete naus, dois brulotes e dois navios de apoio. A esquadra é, novamente, comandada pelo conde do Rio Grande, tendo como sua capitaneia a nau Nossa Senhora da Conceição. A 9 de junho de 1707, a esquadra portuguesa reúne-se, em Corfu, com as restantes forças navais cristãs, comandadas pelo general BleFontaine (nomeado pelo Papa) e composta por navios dos Estados Pontífices, de Veneza, de Florença, da Toscana e da Ordem de Malta. BleFontaine ordena ao conde do Rio Grande que arreasse a Bandeira de Portugal e içasse a do Papa, ordem recusada pelo comandante português que informou que só combateria sob a Bandeira do Rei de Portugal. As forças cristãs encontraram-se com a armada turca, a 19 de junho, iniciando-se o combate. No entanto, pouco depois o general BleFontaine ordena a retirada das suas forças. Novamente, o conde de Rio Grande não obedeceu à ordem, decidindo que a esquadra portuguesa iria enfrentar os turcos sozinhos. A esquadra portuguesa fez então retirar o inimigo. Ao que parece, a nau Nossa Senhora da Conceição naufragou, ao largo da costa portuguesa em 1724.



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